Cultura – Artistas se reúnem para pensar a produção local e novas perspectivas.

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Fotos de Camila Rodrigues

Reflexões sobre o fazer teatral em Petrolina
Artistas se reúnem para pensar a produção local e novas perspectivas

O que fazer com o Teatro? Essa foi uma pergunta feita pelo italiano Eugenio Barba, criador da Antropologia Teatral, em 2008, respondendo que precisa ser uma ilha de liberdade. Esse questionamento é comum e atual a todos que fazem dessa arte a sua linguagem e foi para discutir a produção local que os grupos de Petrolina se reuniram no CEU das Águas, no bairro Rio Corrente, no último domingo (22). Uma roda de conversa que discutiu a manutenção dos grupos e os espaços disponíveis para o fazer teatral na cidade.
A mesa ‘Teatro de Grupo – Desafios e Perspectivas’ é parte da mostra em comemoração aos oito anos da Cia. Biruta de Teatro, que se reuniu com mais quatro grupos culturais para traçar um perfil da produção cênica de Petrolina e também possíveis possibilidades para que essa cena seja fortificada. Os grupos convidados foram a Trup Errante, o Núcleo de Teatro do Sesc, o Pé Nu Palco e contou com a participação dos jovens do Núcleo Biruta de Teatro, projeto realizado pela companhia na comunidade. Ao todo, a conversa durou três horas ininterruptas, falando sobre a utopia dos artistas, palavra que ressoou em diversos momentos, um imaginário de sociedade ideal, imaginada pelos que criam outras realidades para mudar a que se vive.
Um problema recorrente para a manutenção dos espetáculos é a falta de público nas temporadas independentes, que cobram o valor justo pelo ingresso e não fazem parte de festivais. Um motivo possível apontado pela classe é a produção de trabalhos que estão mais para o entretenimento do que para a arte, o que é preciso ser alertado para os futuros atores. “A gente quer que o aluno de teatro veja música, vá na galeria e ele vire esse cidadão completo. (…) Se você esfacela, você deixa aquele cidadão frágil, porque ele não tem grau de comparação”, argumentou Thom Galiano.
Para conseguir manter o grupo em atividade, os artistas têm que pensar estratégias por trás da cortina, que vão além de estar no palco. A Trup Errante, por exemplo, tem feito parceria com outros grupos para suas produções e busca sempre manter um repertório. Essa estratégia também é pensada pela Cia. Biruta, mas a não continuidade do elenco pode ser um empecilho. “isso para estar sempre se apresentando”, explica Cris Crispim, atriz e produtora da Biruta.

· O que vem pela frente?

A demanda atual do Teatro petrolinense veio nas palavras de Veronaldo, disse que é preciso que “a febre se espalhe pela cidade” e chegue ao povo. Se faz necessário pensar o lugar dessa cena, a união de seus artistas e não adormecer, nem nesse e nenhum outro momento político. “Como eu me sustento no que eu acredito? A sustentabilidade passa pela remuneração sim, aí você vai ter várias estratégias para isso, mas talvez não seja lotar o teatro como você gostaria, não pelo ego, mas por saber que as pessoas valorizam. Quando a gente pensa em sustentabilidade, a gente pensa também na nossa formação, no espaço do grupo enquanto pesquisa e o que enquanto grupo a gente para oferecer à cena, pra dialogar”, lembra Crispim.
Questionados sobre como querem estar daqui a 10 anos, as repostas sempre eram claras, todos querem continuar fazendo teatro. “Fazer teatro com ‘intereza’”, afirmou Galiano. Ter a sua arte “mais próxima das comunidades”, completou Veronaldo. Cátia Cardoso fez uma provocação aos artistas, questionando a sua função social dos mesmos, dizendo que acha “que o teatro é contraventor, ele é político, é situado”. Assim, reafirmam-se os palcos como esse lugar potente, onde os atores travam batalhas.

Virabólica

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