Diretoria do Vitória negocia patrocínio com dono da Havan, condenado à prisão por lavagem de dinheiro

Com a Caixa Econômica Federal deixando de patrocinar os clubes de futebol neste início de 2019, a diretoria do Vitória negocia parceria com a rede de lojas de departamento Havan. A informação foi confirmada pelo site Galáticos Online. A tendência é que a Havan desembolse cerca de R$ 3 milhões para estampar sua marca na camisa do rubro-negro baiano até o final de 2019.

Curiosamente, esse valor é semelhante ao que seria pago pela Caixa, se ela continuasse nos clubes, diante do rebaixamento do Leão para a Série B. Com sua Matriz instalada em Brusque, em Santa Catarina, a Havan já patrocinou clubes como Grêmio, Athletico e Chapecoense.

Mas, a Havan tem um currículo nada positivo junto à Justiça. Isso porque, em outubro do ano passado, o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) entrou com uma ação judicial contra a rede de lojas Havan, após o dono da empresa, Luciano Hang , pedir que seus funcionários votem no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). Na mensagem, Hang afirma que “se a esquerda ganhar” fechará lojas e demitirá empregados, o que foi considerado pela procuradoria uma forma de coação.

Desde então, o MPT recebeu 47 denúncias. O órgão fez um pedido de tutela antecipada, para que a Justiça proíba o empresário de pedir votos aos funcionários. Cabe à Justiça do Trabalho conceder ou não a liminar. Hang nega que tenha coagido funcionários.

Na mensagem aos funcionários, o empresário diz que fez uma pesquisa interna e constatou que 30% dos empregados votarão em branco ou nulo. E afirma: “Se você não for votar, anular seu voto e votar em branco e depois do dia 7 (de outubro, dia da eleição) ganha a esquerda, até eu vou jogar a toalha”. No trecho seguinte, ele se dirige a quem deseja crescer na empresa e afirma que “tudo isso pode acabar”. O vídeo termina com um pedido de voto para Bolsonaro.

O MPT pediu multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento da determinação de abstenção da pressão sobre funcionários. Caso não divulgue o conteúdo da eventual decisão judicial, o empresário estará sujeito a outra penalidade, de R$ 500 mil e R$ 10 mil por funcionário.

A ação judicial foi protocolada no mesmo dia em que o MPT emitiu nota repudiando qualquer tipo de coação a funcionários. No documento, o órgão afirma que esse tipo de conduta pode ser considerada assédio moral . Na avaliação do procurador-geral do MPT, Ronaldo Fleury, existe uma “linha tênue” entre demonstrar a preferência por candidatos e coagir funcionários.

Em nota, Luciano Hang defendeu a publicação do vídeo e reafirmou que, caso um candidato à esquerda vença, repensará seus planos. Ele afirmou ainda que está em seu direito ao defender seu posicionamento.

Já em janeiro deste ano, a Justiça Federal condenou o empresário a 13 anos, nove meses e 12 dias de reclusão e ao pagamento de uma multa de R$ 1,245 milhão por crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro. O empresário pode apelar em liberdade ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. A sentença é da Vara Federal Criminal de Florianópolis e foi enviada nesta sexta-feira ao Ministério Público Federal (MPF), autor da denúncia. De acordo com a denúncia do MPF, o empresário teria mantido depósitos no exterior sem declaração aos órgãos de fiscalização nacionais. Os depósitos teriam sido feitos em nome de empresas que, segundo a Receita Federal, pertenceriam à Havan, além de outros em nome próprio. Ele teria tido a colaboração de outros dois funcionários, um que autorizava os depósitos, José Luiz Paza, e outro que os efetuava, Nilton Hang. Ambos também foram condenados, mas têm direito de apelar em liberdade.

Luciano Hang e José Luiz Paza não poderão exercer função pública pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade. A condenação também se refere à lavagem de dinheiro, por ocultação de valores supostamente obtidos mediante condutas ilícitas. O advogado do empresário, Marcos Grützmacher, disse que não tinha conhecimento da sentença e não quis se manifestar. A advogada Regiane Moresco, que defende o empresário Luciano Hang, e os funcionários Nilton Hang e José Luiz Paza, não quis comentar a decisão de primeira instância.

BN

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