Mais um vigilante da Ilha do Fogo denuncia ação violenta da Rondesp, em Juazeiro

 

Na manhã desta quinta-feira (08), o Portal Preto No Branco recebeu mais uma denúncia da Associação de Barraqueiros da Ilha do Fogo contra policiais da Rondesp. Durante o programa Palavra de Mulher Web, o vigilante Genivaldo Martins, juntamente com o presidente da associação, Charles Jean, relatou que foi abordado de forma violenta pelos PMs na noite da última terça-feira (06).

“Os polícias da Rondesp chegaram à ilha por volta das 22 horas. Inicialmente, eles fizeram uma vistoria na área dos banhistas e em algumas barracas que estavam abertas, e acabaram achando droga. Após isso, os polícias me abordaram de forma violenta e queriam que eu desse informações sobre o material. Eu estava jantando e eles tiraram a minha roupa, me fizeram deitar no chão, pisaram na minha cabeça, apontaram fuzis em minha direção e fizeram várias perguntas sobre a droga, chegando a insinuar que era minha. Perguntaram sobre a minha atuação da ilha e como eu recebia meu pagamento, colocando minha profissão em dúvida”, relatou o profissional de segurança Genivaldo.

O vigilante foi contratado há pouco mais de um mês pela Associação dos Barraqueiros. Ele contou ainda que foi impedido pelos polícias de continuar trabalhando no local. “Depois do interrogatório e da tortura que fui submetido, os polícias mandaram que eu me vestisse e fosse embora de lá e não voltasse nem para buscar meus objetos. Eles ainda sugeriram que eu mudasse de profissão. Eu sou um profissional habilitado na área de segurança, fiz cursos e dependo deste emprego para pagar aluguel, alimentação e outras contas”, acrescentou.

Genivaldo declarou ainda que não conseguiu anotar o número da viatura e nem os nomes dos policiais. “Eu só quero que eles nos respeitem, pois do mesmo jeito que eles estão trabalhando, eu também estou”, concluiu.

Ainda durante o programa, o presidente da associação, Charles Jean, falou das agressões sofridas pelos vigilantes e dificuldade de encontrar profissionais para atuar no local. “Esse não é o primeiro caso e os seguranças estão com medo de trabalhar na ilha do fogo. Infelizmente a população ao invés de temer o bandido, está temendo a polícia que deveria garantir a nossa segurança e não o contrário. Eles chegam na ilha e querem obrigar os vigilantes a darem informações sobre o tráfico na ilha e isso não pode continuar acontecendo”, declarou o presidente.

Charles informou ainda que após a expulsão do vigilante, pelos policias, sua barraca foi arrobada. “Precisamos contratar e pagar um segurança para proteger nossos pertences que ficam nas barracas, pois a Prefeitura de Petrolina, que é responsável pela ilha, não disponibiliza nenhum profissional para o serviço. Com isso, depois que o nosso vigilante foi impedido de trabalhar pelos policiais, o local ficou sem segurança e eu tive prejuízos”, acrescentou.

O presidente da Associação de Barraqueiros da Ilha do Fogo falou ainda sobre o medo em denunciar as agressões. “Não denunciamos nenhum dos casos na corregedoria da Polícia Militar por medo. No dia em que estivemos aqui denunciando o caso do outro vigilante, também agredido pela Rondesp, polícias foram até o portão da ilha e ficaram nos olhando, como uma forma de nos intimidar”, finalizou.

Veja a entrevista completa:

Outro caso

A agressão acontece três meses após a associação denunciar outro caso de violência contra vigilante contratado para fazer a segurança das barracas localizadas na Ilha do Fogo. Em maio, o presidente Charles Jean declarou que na madrugada do dia 16, policiais da Rondesp arrebentaram a corrente do portão e abordaram violentamente o profissional.

“Eles já chegaram quebrando a corrente que é usada para manter o portão de entrada da ilha fechado. E apesar do nosso segurança ter se identificado, eles queriam que o trabalhador passasse informações sobre o tráfico de drogas na ilha. Ao dizer que não tinha essa informação, que não podia apontar nomes, o rapaz foi agredido com socos e chutes no estômago. O profissional ainda pediu para me ligar, mas eles não deixaram. Ele foi espancado, quando estava trabalhando, e sem ter chances de se defender”,  contou.

O barraqueiro Edmilton, que também esteve em nossa redação, informou ainda que o vigilante ficou bastante machucado e sentido fortes dores no abdômen.

“Eu fui dar assistência ao nosso vigilante, e ele estava bastante assustado e queixando-se de dores pelo corpo. Os socos foram mais no estômago, não ficaram marcas, não ficaram hematomas. Isso não pode ficar impune. Quem deveria cuidar da nossa segurança no local, acaba abusando da autoridade e agredindo quem está trabalhando, tentando de forma errada obter informações que não temos. A responsabilidade de coibir e investigar o tráfico de drogas no local é do poder público, da polícia”, declarou o barraqueiro.

(veja a denúncia completa)

Após o caso, o vigilante agredido deixou o emprego. Na época a redação do PNB encaminhou a reclamação para a Polícia Militar da Bahia, mas não obtivemos resposta.

Estamos entrando em contato, mais uma vez, com o comando da PM, em Juazeiro, e também com o Comando Geral  para apurar as denúncias.

 

Da Redação

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