“Nunca fui tão humilhada”: professora é demitida durante aula na rede municipal de Petrolina

“No meio de uma aula de português fui chamada por duas funcionárias, a mando da secretária de Educação de Petrolina, para assinar minha demissão. Isso mesmo, demissão. Fui demitida sem justa causa.” O desabafo é da servidora pública Laise Freitas, que há 7 anos atuava como professora contratada na rede de ensino de Petrolina-PE, e que foi surpreendida, durante o trabalho, com o anúncio de sua demissão na última sexta-feira (30).

Em relato publicado em sua rede social, a professora, que atualmente trabalhava na Escola Municipal Luiz Rodrigues de Araújo, no bairro Santa Luzia, considerou a situação humilhante e constrangedora. Ela apontou que a justificativa da Secretaria de Educação, pasta assumida por Margareth Pereira Costa, é equivocada.

“São 7 anos como servidora pública da prefeitura de Petrolina e nunca fui tão humilhada e nunca passei tanto constrangimento como agora, sem falar na calúnia que a secretária está levantando contra mim e outros, dizendo que demitiu porque faltava demais. Nossa! Quanto absurdo! Quem me conhece sabe do meu trabalho e do meu valor como pessoa. Imagina aí, o constrangimento de no meio de uma aula você ser demitida. Sabe como ficaram os meus alunos, que são crianças entre 9 a 11 anos? Eles ficaram aos prantos, não saíram de perto de mim, me abraçando e pedindo que pelo Amor de Deus eu não saísse. Isso é atitude de um município que pensa no seu educando? Isso é atitude de ser humano que tira a professora de sala de aula pra demitir sem justa causa e ainda usa de calúnia? Isso é gestão que prioriza educação? Não! Não é”, escreveu.

Dentro desses 7 anos, a servidora realizou três seleções simplificadas. Essa era a segunda instituição de ensino do município que estava atuando. O contrato de prorrogação desse último processo seletivo que Laise participou se encerraria no dia 20 de março do ano que vem.

Em seu texto, Laise destacou que sempre cumpriu as suas obrigações com responsabilidade, e questionou a decisão da Secretaria. “Que mal eu fiz por fazer o meu trabalho? O problema é porque era professora contratada? Uma funcionária temporária? Parem com isso!! Trabalhamos igualmente a qualquer outro profissional. Não menospreze o trabalho do professor dessa forma não. Fala-se tanto em melhorar a educação e humilha e descarta o professor sem um pingo de consideração e respeito. E ainda usa de mentiras para se sobressair das decisões tomadas”, acrescentou.

A servidora finalizou seu relato criticando a secretária de Educação e o prefeito Miguel Coelho. “Senhora secretária da educação, ande mais nas escolas, veja como está a estrutura delas. Dê valor ao professor que acorda todos os dias para lutar por uma educação que vocês tanto menosprezam. Seja mais humana! E senhor prefeito Miguel Coelho avalie as pessoas que você coloca nas secretarias, você pode se prejudicar muito com isso”.

Foram registradas demissões de profissionais em escolas e Novas Sementes do bairro Terras do Sul, do CAIC da Cohab Massangano, e do distrito de Izacolândia. Os contratos dos servidores estavam previstos para encerrar no primeiro trimestre de 2020.

Reorganização

Em nota, a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes de Petrolina informou que está reorganizando o quadro de funcionários da pasta com foco no pleno funcionamento da rede municipal de ensino e que “as adequações estão sendo feitas de acordo com a legislação, para corrigir inconsistências e inibir excesso de ausências de servidores, sem justificativas legais”.

Ainda segundo a secretaria, desde a nomeação dos aprovados no último concurso público, em maio de 2019, a Secretaria tem encerrado o contrato temporário de professores, medida necessária para garantir o retorno de professores efetivos para as salas de aulas. Com isso, se faz necessário o desligamento do contrato do profissional temporário, que pode ser feito a qualquer tempo, de acordo com o interesse e conveniência da administração pública.

“Vale ressaltar que a contratação de profissionais temporários somente é permitida nas seguintes situações: professores efetivos afastados das salas de aulas para ocupar funções técnicas na secretaria, gestor escolar, vice gestor, coordenador pedagógico, cedências, readaptados e licenças médicas”, diz a secretaria que acrescentou ainda que todas as providências estão sendo adotadas para garantir o quadro completo de professores em todas as escolas e que todos os dias letivos estão sendo cumpridos normalmente.

Requerimento negado

Em sessão ordinária realizada nesta terça-feira (3), os vereadores da bancada de situação de Petrolina rejeitaram um requerimento solicitando a presença da secretária municipal de Educação, Cultura, Esportes e de autoridades políticas do município, para a realização de uma audiência pública para discutir sobre a viabilidade e conveniência do processo de reorganização e adequação do quadro de funcionários da secretaria, com foco no pleno funcionamento da rede municipal de ensino, assim como soluções urgentes e assertivas para evitar a falta de professores no quadro municipal prejudicando o ano letivo da rede básica de ensino.

O requerimento, apresentado pelo vereador Paulo Valgueiro (MDB), líder da Bancada de Oposição, foi rejeitado por 14 votos, após pedido de destaque do líder do Governo, o vereador Aerolande Cruz (PSB).

Com o argumento de que é uma manifestação política, Cruz sinalizou aos colegas de bancada a rejeição do requerimento. Valgueiro justificou sua solicitação, que segundo ele, “nada mais é do que um direito legislativo de discutir os projetos, ações e problemas do município, já que a população de Petrolina tem o direito de conhecer e participar do Plano de Gestão”.

Os únicos vereadores a votarem favoráveis ao requerimento foram da Bancada de Oposição, o proponente Paulo Valgueiro, Gilmar Santos (PT), Cristina Costa (PT) e Gabriel Menezes (PSL), presentes na sessão.

Notas de solidariedade

Gilmar Santos expressou solidariedade às professoras e professores contratados do Município de Petrolina e que foram demitidos pela gestão do prefeito Miguel Coelho e da secretária Margareth Costa, “de forma desrespeitosa, desumana e irresponsável”.

“Os relatos atestam para situações em que profissionais souberam da demissão através de colegas que lhe deram a notícia na escola, sem qualquer mediação da gestão; outros foram demitidos durante plena aula, levando estudantes à comoção; até uma professora que estava de licença maternidade e retornava ao trabalho passou por esse constrangimento. Há diversos outros relatos de humilhações promovidas por servidores da Secretaria de Educação contra essas profissionais”, diz a nota.

Já a vereadora Cristina Costa relatou que uma das professoras estava de licença maternidade, e no retorno ao trabalho, recebeu a demissão. “A ressalva é de que a prefeitura poderia pelo menos, aguardar a conclusão do ano letivo, para que os alunos que já estão com o segundo semestre em andamento, perfeitamente adaptados aos professores, não vivenciassem essa mudança brusca”, diz a nota.

* foto ilustrativa

Da Redação por Thiago Santos

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