Alerta: Dois adolescentes e um adulto são vítimas de suicídio na região do São Francisco, neste Setembro Amarelo

Nesta terça-feira, 10 de setembro, data que marcou o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, criado em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (ABEPS) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com o objetivo de prevenir o ato do suicídio e promover uma reflexão sobre a  valorização da vida, um caso foi registrado em Petrolina-PE. 

A morte da adolescente de 14 anos aconteceu no final da tarde, em um condomínio localizado na Av. Clementino Coelho, e o caso comoveu a população do Vale do São Francisco, acendendo um alerta para o crescente número de casos de suicídio entre os jovens.

No último dia 2, também deste Setembro Amarelo, um garoto de 15 anos, natural de Curaçá(BA), cometeu suicídio no bairro Piranga II, confirmando um problema de saúde pública crescente entre a população juvenil. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos, conforme aponta relatório da OMS divulgado nesta semana.

Outro caso foi registrado na manhã desta quarta-feira (11), na região do Vale do São Francisco. A vítima foi um senhor de 48 anos, e o fato aconteceu na comunidade de Carnaíba do Sertão, zona rural de Juazeiro-BA.

Campanha

Para Deise Fabiane Schmitz, Psicanalista Clínica, é importante reconhecer a importância da Campanha Setembro Amarelo, realizada desde 2014 no Brasil, quando se realizam atividades de conscientização e prevenção ao suicídio.

“É uma campanha ampla e que atinge praticamente toda a população. O número de atendimentos no Centro de Valorização da Vida tem aumentado consideravelmente, e a gente atribui ao Setembro Amarelo, que é o mês de se falar mais sobre, quebrar o tabu, desmistificar esse medo das pessoas de falarem sobre o problema”, ressalta Deise que também é membro do Grupo de Estudos Psicanalíticos do Vale do São Francisco, Coordenadora do Núcleo de Prevenção de Suicídios do Vale do São Francisco e do Grupo Terapia Depressão.

A psicanalista reconhece que o sistema público de saúde apresenta falhas, o que pode comprometer o atendimento à diversas pessoas, mas ressalta que a campanha tem alcançado seu objetivo.

“Se tem casos em setembro, há de se considerar que precisaria de uma prevenção mais seletiva para esses casos que vêm demonstrando sofrimento. A saúde pública tem alguns gargalos, e nem todas as pessoas conseguem atendimento, e outras nem buscam. Mas a campanha tem esse objetivo de ampliar a conscientização e com certeza a gente vê, pelas estatísticas, que tem alcançado”, disse.

Alerta

São vários os fatores de riscos que predispõem e precipitam um ato suicida: há a influência da genética, elementos da historia pessoal e familiar, fatores culturais e socioeconômicos, acontecimentos estressantes, traços de personalidade e transtornos mentais.

Dentre os fatores que a Psicanálise considera que predispõem tem-se: transtornos psiquiátricos, doenças incapacitantes e/ou incuráveis, abuso sexual na infância, suicídio na família, tentativa anterior de suicídio, isolamento social, impulsividade, agressividade. Já dentro da categoria dos fatores que precipitam o ato suicida, considera-se: desilusões amorosas, o uso de drogas e crise financeira, entre os principais.

O ato de tirar a própria vida pode ser multi-determinado, ou seja, é um conjunto de fatores de diferentes naturezas, que se combinam de modo complexo e variável, e que podem estar relacionados ao ambiente ou mesmo internos ao indivíduo.

Ajuda

No Brasil, o CVV é responsável por promover apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo gratuitamente, sob total sigilo, pelo telefone (188), email e chat 24 horas todos os dias.

O Ministério da Saúde também orienta que, para além da escuta, é importante incentivar a pessoa a procurar atendimento profissional. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicossocial nos Centros de Apoio Psicossocial (Caps).

Número de casos cresceu

Considerado um problema de saúde pública, mas que não é debatido por ser considerado um tabu social, o suicídio continua fazendo vítimas, e os números só aumentam.

Diferentemente do índice mundial, que caiu 9,8%, a taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil, é o que mostra um levantamento da OMS. Os dados comparam as mortes auto-provocadas registradas pela organização em 2010 e em 2016 em diversos países do mundo.

No Brasil, em 2016, foram contabilizados 6,1 suicídios a cada 100 mil habitantes, diferente de 2010, quando foram registrados 5,7 suicídios a cada 100 mil habitantes no país. Em um panorama mundial, os números mostram que cerca de 800 mil cometem suicídio, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos.

Da Redação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.