Covid 19: Juazeiro e Petrolina vão usar a cloroquina aos primeiros sinais da doença? PNB responde

Assim como outras cidades brasileiras, Juazeiro, no norte da Bahia, não deve adotar o protocolo do Ministério da Saúde que recomenda prescrição médica de cloroquina desde os primeiros sinais da doença causada pelo novo coronavírus. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, “não há comprovação científica da eficácia desse medicamento para a cura de pacientes com Covid-19”.

O órgão é responsável pela administração da Unidade de Pronto Atendimento que se tornou referência para assistência a pacientes com síndrome gripal, relacionadas à Covid-19, H1N1 ou outro sintoma respiratório. De acordo com a Sesau, o protocolo usado na unidade foi elaborado em fases, cada uma para um possível estágio da doença.

O órgão reforçou ainda que até hoje (22), “não há nenhum paciente diagnosticado com a Covid-19, em tratamento na UPA”.

O tratamento com a cloroquina também não deve ser utilizado no Hospital Regional de Juazeiro, administrado pelo Governo do Estado, e referência para o tratamento do novo coronavírus, na região norte. De acordo com o governador Rui Costa (PT), o novo protocolo do Ministério da Saúde não será adotado na Bahia. “Na Bahia nós não vamos mudar nenhum protocolo. Até porque aqui, tenho repetido diversas vezes, político não é pra passar receita médica. Quem define isso é quem estudou medicina, cientistas, médicos”, afirmou o governador baiano.

Em Petrolina, no sertão pernambucano, a direção do Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco, declarou que “a respeito do uso da hidroxicloroquina, o HU possui uma equipe técnica que está atenta às modificações e recomendações ministeriais e todas as condutas são individualizadas de acordo com cada perfil e necessidade do paciente.”.

De acordo com a Secretaria de Saúde da cidade, até a próxima segunda-feira (25) a gestão vai anunciar o protocolo que será utilizado no Hospital de Campanha do município, que será inaugurado na próxima semana.

Durante uma entrevista a um programa de rádio, Miguel Coelho afirmou que o município já havia adotado o uso da cloroquina para casos graves da doença e que entenderá, se a classe médica decidir, que este é o melhor caminho para se evitar um agravamento dos quadros leves para grave. “A prefeitura de petrolina poderá adotar desde que tenha um embasamento dos profissionais de saúde”, declarou o gestor.

Nesta quinta-feira (21), a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) afirmou que a prescrição de qualquer medicamento para pacientes é uma prerrogativa dos profissionais de saúde responsáveis pelo tratamento.

A secretaria declarou ainda que recebeu com “preocupação” as novas orientações do Ministério da Saúde sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, pois “nenhum destes medicamentos têm eficácia comprovada contra a doença e seu uso pode causar diversos efeitos colaterais, como disfunção grave de órgãos, incapacidade permanente e até óbito”.

Nova versão do documento técnico

Nesta quinta-feira (21), o Ministério da Saúde divulgou uma nova versão do documento técnico que recomenda o usa da cloroquina e da hidroxicloroquina mesmo em casos leves de Covid-19.

Na atualização, o documento apresenta alterações no título, além da exclusão de referências bibliográficas,  mudanças na forma como o parecer do CFM é citado, e também, a inclusão da assinatura de funcionários da pasta.

Denúncia

Durante entrevista a GloboNews, o ex-ministro da Saúde Luiz, Henrique Mandetta, revelou que o Governo Federal pretendia alterar a bula da cloroquina, para incluir no documento sua recomendação para o tratamento da covid-19. Ele voltou a criticar o uso do remédio, dizendo que o protocolo recomendando a droga é “distante do razoável” e revelou que a tentativa de alterar a bula aconteceria, via decreto, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar de não haver evidências científicas que comprovem a eficácia do medicamento contra a doença, que já matou mais de 18 mil pessoas no Brasil, Bolsonaro defende o uso da substância.

O protocolo da cloroquina foi um dos motivos de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, que deixaram o governo em um intervalo de menos de um mês.

SBI

Em Parecer Científico a Sociedade Brasileira de Imunologia, declarou baseado nas evidências atuais que avaliaram a utilização da hidroxicloroquina para a terapêutica da COVID-19,  conclui que ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina.

“Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma, a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da COVID-19”, alertou.

Da Redação por Yonara Santos

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