PF se opõe a novos acordos de delação premiada

PF diz já ter material suficiente para as investigações. Pessoas ligadas à Odebrecht dizem se tratar de um movimento para poupar Michel Temer e o PMDB.

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A Polícia Federal vem pregando o encerramento dos acordos de delação premiada relativos à Operação Lava Jato.

Agentes da PF do Paraná afirmam já ter colhido material suficiente para elucidar os casos de desvio de verba na Petrobras e dizem não ser necessárias novas delações. A informação foi obtida por fontes ouvidas pelo jornal Folha de S. Paulo.

Os agentes deram como exemplo a prisão de Antonio Palocci, na semana passada. Palocci foi preso através da combinação de informações obtidas por documentos apreendidos e delações já firmadas. A mesma informação sobre Palocci consta na pré-delação de Marcelo Odebrecht.

Preso desde o ano passado, Marcelo Odebrecht negocia há meses um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Apesar de ser considerada a delação mais esperada da Lava Jato, o acordo ainda não saiu do papel.

No entanto, para a PF, a delação do empresário não será mais necessária para as investigações. Além disso, a corporação afirma temer que a sensação de impunidade na sociedade aumente caso haja mais acordos.

Durante os dois anos e sete meses da operação, já foram fechados 66 acordos de delação premiada e quatro acordos de leniência com empreiteiras. Se a Odebrecht firmar acordo com a PGR, o número passará dos 100, já que 50 funcionários da empresa estão negociando delações. Segundo fontes da Folha de S. Paulo, o juiz Sérgio Moro tem a mesma opinião da PF em relação às novas delações.

Por outro lado, pessoas ligadas à Odebrecht afirmam que o pedido da PF para encerrar os acordos de delação parte de um movimento do governo de Michel Temer. Isso porque Temer, membros da cúpula do PMDB, como o presidente do partido Romero Jucá, e o ministro José Serra, das Relações Exteriores, são citados nos acordos de pré-delação da empreiteira. A PF nega sofrer influência do governo.

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