Prisões de Garotinho e Cabral devem estar provocando ‘calafrios’ em muitos políticos- Por Laerte Cerqueira

Laerte Cerqueira

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“A prisão dos maiores empreiteiros do Brasil acendeu a luz amarela. Há algo novo. Talvez fugaz, talvez mais longo. Ainda há dúvidas sobre a perenidade de exemplos como esses. A condenação deles foi uma espécie de ação pedagógica num país que precisa de referências para melhorar.

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A prisão do ex-deputado Eduardo Cunha aumentou a intensidade dessa luz amarela. Mãos começaram a suar. Mas Cunha era odiado pela maioria. Quase unanimidade. Bola cantada para quem achou que não havia limite e cultivou “amizades” por meio dos favores e coação. “Ele foi longe demais”, disseram alguns.

Mas a prisão dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Garotinho e Sérgio  Cabral, levou alguns políticos a ter insônia. Calafrios. Foram presos pelos mesmos crimes que muitos cometem ou cometeram. Mas no país onde a impunidade encontrou morada fértil, nunca se imaginou tamanha ruptura.

A prisão dos dois ex-governadores de RJ não poderia ser mais simbólica. Não foi em um Estado pobre e sem expressão. Foi no Rio da eterna vanguarda. Que ousa, que experimenta e que tem um pouco de pedantismo. Às vezes, é só o jeito meio despojado, falastrão e autossuficiente.

O Rio reverbera novidades, é caixa de ressonância de muitas atos e artes. Tomara que as prisões estejam nessa linha de produção. 62771612_ri-rio-de-janeiro-rj-17-11-2016o-ex-governador-antony-garotinho-a-transferido-do-hospit

Os dois ex-comandantes eram um pouco assim. Confesso que senti um pouco de pena quando vi a foto de Cabral de presidiário e de Garotinho gritando para não ser levado para Bangu.

Mas pensei. Se foi verdade o que eles fizeram, como foi duro para os parentes daqueles que morreram na porta dos hospitais cariocas por alta de médicos, estrutura, sem atendimento. Eles também gritaram.

O dinheiro alimentou o luxo, a mordomia, a empáfia. Não deu para salvar as centenas de pessoas que peregrinaram em busca de hospitais. Só para ficar num exemplo.

A prisão deles é sintoma claro de nossa doença: a social. São nossos representantes. Mais do que comemorar, a gente precisa reforçar essa onda que nos faz lembrar que a lei é para todos. Não só para preto e pobre, como revelam dados de pesquisas.

Talvez, agora, com medo da prisão – a mesma vista como um depósito de delinquentes – muitos políticos recuem e pensem mais quando resolverem tirar do público para alimentar o privado. De saquear o povo, com esquemas que mantêm estruturas de poder, regalias e imunidade.

Talvez, haja até mais investimentos no sistema penitenciário. Afinal, lá, agora, há poderosos.

Sergio Cabral e Garotinho em Bangu devem estar provocando muitos calafrios nos políticos aqui do lado de fora. Que seja o início de uma mudança cultural – colonial. A de que político pode tudo, inclusive viver sob a redoma da impunidade.

Não é uma questão de demonizá-los, mas é que são e foram tantos maus exemplos, que é inevitável não referenciá-los.

Nossa país está meio louco. Mas episódios de sanidade, como esse, nos faz acreditar que novas gerações não presenciarão impotentes as nossas piores práticas políticas”.

Por Laerte Cerqueira do Jornal Paraíba

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