“O mundo desabando e o povo? ” – Por Ivânia Freitas

ivania freitas

Ivânia Freitas-Doutoranda Em Educação pela Universidade Federal da Bahia Professora da UNEB

 

“E na hora que a televisão brasileira distrai toda gente com a sua novela…”.
Os versos da canção de Leci Brandão, Zé do Caroço, nunca foram tão representativos do cenário brasileiro. A grande mídia, sobretudo, a televisiva, conseguiu plantar no povo (os pobres, os menos pobres, e os que se acham ricos), um estado de letargia que duvido muito, que estes se recuperem tão cedo.
Primeiro convenceu que havia uma crise. Criou a crise. No mundo não havia crise, só no Brasil. O povo acreditou.
Depois convenceu que o PT ‘acabou’ com o Brasil. Contrariou os indicadores econômicos que apontavam o crescimento do país nas eras Lula e Dilma (mesmo com a queda da economia nos últimos anos); desfez-se dos dados nacionais e internacionais sobre o combate à pobreza; a ampliação do acesso à moradia; à expansão dos direitos sociais; o aumento dos investimentos em educação e saúde; etc etc etc e conseguiu convencer o povo de que tudo isso era pouco ou nada.
Criou a história do tríplex e do Sítio de Atibaia. Fez de Lula um grande mafioso (Al Capone virou fichinha), supervalorizou um Power Point colegial, enquanto passou por cima das denúncias comprovadas dos Tucanos, pemedebistas e todos os “istas”, que roubam, vendem e revendem os bens públicos há anos!
Validou nomes como Serra, Aécio, Bolsonaro, Cunha (etc), indo para as ruas de verde-amarelo, contra a corrupção (pasmem!). A imprensa (partidária), conduziu uma massa cega, burrinha e alienada, para segui-los em marcha e gritarem em coro “somos todo Cunha” (sim, Cunha, esse que está preso por roubar milhões e milhões dos cofres públicos).
Divulgou de cinco em cinco minutos, uma conversa grampeada entre a Presidenta e um ex-presidente, plantando na cabeça do povo, uma intenção que só existia nas “suposições”. O povo acreditou. Essa mesma grande mídia, ignorou o crime (de fato) cometido pelo presidente golpista, quando também grampeado por um dos seus, preferindo focar na indignação conveniente dele (o presidente fantoche) e do Aécio (derrotado inconformado), que bradaram ser “inaceitável” um grampo em um presidente. Parecia novela mexicana onde o roteiro mal escrito, não se dá conta da contradição explícita das falas dos atores (ruins) e das cenas (mal feitas).
Transmitiu cada segundo do maior vexame nacional na Câmara e no Senado, com a mesma pirotecnia dos jogos de futebol.
Veiculou imagens ao vivo, a cada cinco minutos, das dez ou quinze panelas caras batidas nas varandas dos apartamentos luxuosos, enquanto ignorou escandalosamente, os milhares que foram e estão indo às ruas dizer “não” ao desmonte dos direitos.
Chamou estudantes secundaristas de ‘invasores de escolas’ e de vândalos aqueles que gritaram FORA, TEMER!
Minimizou a violência autorizada da polícia covarde.
Deu ibope às contrarreformas do governo, fazendo a população acreditar que são a melhor saída para ‘recuperar’ o Brasil que ele está fazendo questão de quebrar, triturar para deixar bem baratinho para o capital estrangeiro se apropriar.
Vergonhosamente, essa grande mídia, não destinou um minuto sequer, para falar dos altos salários e privilégios juízes e promotores públicos ou dos parlamentares (os mais caros do mundo) que contradizem a teoria do ‘estado quebrado’. Tampouco se prestou a sequer, sinalizar para o povo que, se os muito ricos (que têm patrimônio acima de um milhão) pagassem devidamente os impostos sobre suas riquezas (grandes fortunas), o Brasil teria só aí, uma renda de 100 bilhões de reais por ano.
Mas, a mídia golpista, fez seu papel. Acirrou as denúncias (mesmo que falsas) contra o PT, plantou um ódio cego e descomunal na população; esqueceu-se o quanto pôde das falcatruas do PSDB e do PMDB; construiu um novo “herói” para não deixar órfãos os “todos Cunha” e fez dele o “justiceiro dos coxinhas”; adoçou seus programas de auditório com músicas e piadas sem graça; encharcou seus horários com filmes ‘lindinhos’ e fez o povo assistir à sua própria derrocada como mero figurante de uma grande novela das 9 que logo acabará e tudo será como antes!
A má notícia, é que ‘nada será como antes’, a PEC 55 está no Senado e enquanto isso, seguimos aguardando a programação de fim de ano que se anuncia com aquela musiquinha “o futuro já começou, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa é de quem quiser e vier”…

1 comentário

  • Robson disse:

    Sei que a vida de imigrante não é fácil, já fui imigrante e conheçon as dificuldades de uma pessoa que sai do seu país de origem.
    Tenho uma página no facebook, nela dá pra conhecer melhor Portugal a realidade da vida Num Pais estrangeiro… deixei o link pra vocês conhecerem.

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