“É importante a informação” explica especialista em autismo infantil Dr Jadson Fraga Jr

O autismo é uma síndrome que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do indivíduo. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, atualmente o autismo afeta uma a cada 110 pessoas. No Brasil, estima-se que cerca de 2 milhões da população seja autista. São mais de 300 mil ocorrências só no estado de São Paulo.
No fim de novembro, o Governo da Bahia inaugurou o Centro de Referência Estadual para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, em Salvador. A previsão é que o espaço atenda cerca de 200 pacientes por mês e ainda funcionará como um espaço para capacitação de profissionais voltados ao atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista em todo a Bahia.
Informações sobre o transtorno ainda são vagas e pacientes têm dificuldades em obter diagnóstico precoce e tratamento. Pensando nisso, o Preto no Branco conversou com o neuropediatra, Jadson Fraga Jr, sobre autismo infantil. Jadson é  formado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tem residência médica no Hospital Federal da Lagoa – RJ  e residência em neuropediatria no Hospital Santo Antonio (Obras Sociais Irmã Dulce) – BA. Atualmente atende em Petrolina, na clinica Liame.
Entrevista por Fernanda Marins
PNB – Com que idade pode ser diagnosticado o autismo nas crianças? 
 
J.F – Não existe uma idade minima estabelecida para realizar o diagnóstico do transtorno do espectro autista. Contudo, na pratica, uma criança com TEA recebe o diagnóstico quando tem entre 3 e 5 anos, período em que o comprometimento social acaba ficando mais evidente e com isso facilitando o diagnóstico dessa condição.
 
PNB –  Que tipo de comportamento os pais podem observar nos filhos que indique autismo?
 
J.F – Os TEAs caracterizam-se por uma constelação de sintomas, mas há um denominador comum a eles: a dificuldade de interação social e de comunicação, a presença de comportamentos repetitivos e a necessidade de manter uma rotina.
Deve-se ter atenção a esses sinais:
– Entre 2 e 3 meses: Não faz contato com os olhos.
– 6 meses: Não sorri.
– Cerca de 8 meses: Não acompanha você com o olhar quando se afasta dele.
– Cerca de 9 meses: Não balbucia palavras, não estende os braços quando a mãe entra no quarto.
– Cerca de 1 ano: Não procura por você quando o chama pelo nome, não dá “tchauzinho”.
– Cerca de 1,5 ano: Ainda não pronunciou nenhuma palavra inteligível.
– Cerca de 2 anos: Ainda não elaborou nenhuma frase com começo meio e fim.
 
PNB – Depois do diagnóstico, tem pais que não aceitam a condição da criança, o que é aconselhável fazer?
 
J.F – Idealmente, após este diagnóstico, é  aconselhável terapia familiar com acompanhamento psicológico de suporte não só para a criança,mas também para família. Além disso, é importante a informação, muitos pais desconhecem até o dia do diagnóstico o que é o autismo e tem apenas uma visão superficial e em grande parte errada o que gera preconceitos nem sempre condizentes com a  realidade.
 
 
PNB – Existe tipos de autismo ou cada um é único?
 
J.F – Existem. Houve mudança recente na classificação do TEA  após o DSM-5 (2013). Também chamado de Desordens do Espectro Autista (DEA), recebe o nome de espectro porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais leves à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau estão relacionadas, com as dificuldades de comunicação e relacionamento social. 
De acordo com o quadro clinico, o TEA pode ser classificado em Autismo Clássico, Autismo de Alto Desempenho (antes chamado de Síndrome de Asperger) e Distúrbio Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (DGD-SOE)/
PNB – Qual tratamento é adequado para o autismo infantil? 
 
J.F – O tratamento para o autismo é geralmente muito intenso e abrangente, por isso envolve toda a família da criança e uma equipe de profissionais. É  realizado por equipe multidisciplinar, que inclui terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e neurologia ou psiquiatria infantil. 
A forma de tratamento mais usada no Brasil é a ABA ( análise do comportamento aplicada): A ideia por trás do ABA é transformar comportamentos que no autista são estereotipados em comportamentos que sejam funcionais, quer dizer, que permitam à criança ‘funcionar’ no mundo que a cerca.
 
PNB – Os pais são fundamentais no tratamento da criança?
 
J.F – Sim, o tratamento abrange toda a família e é muito intenso exigindo bastante dos pais e sendo muitas vezes diretamente proporcional ao empenho dedicado. Alguns programas podem ser postos em prática na casa dos indivíduos. Os que são feitos em casa, podem ser com a presença de profissionais especialistas e terapeutas treinados ou podem incluir um treinamento para que os pais possam servir como terapeutas para seus filhos, sob supervisão de um profissional.
Além disso , exige a dedicação de procurar os melhores profissionais e manter a criança por anos em seguimento semanal com essas equipes treinadas.
 
PNB – Existem casos que são prescritos medicamentos? Quais são esses casos?
 
J.F – Sim. Existem pacientes do TEA que cursam em algum momento com agitação psicomotora, agressividade e até mesmo automutilação e nestes casos indicamos medicações chamadas neurolépticos, que comumente tem boa tolerabilidade no organismo, com boa eficácia no controle.⁠⁠⁠⁠

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