A banalidade do cotidiano insólito, por Manoel Leão

 

Vejo até com espanto que o Moro, aquele da República de Curitiba, emitiu uma nota sobre a escolha, por sorteio, do novo relator da Lava Jato.

Para ele (Moro), o “eminente Ministro Edson Fachin” é “é um jurista de elevada qualidade e, como magistrado, tem se destacado por sua atuação eficiente e independente”.

Pera lá. Vamos com calma…. Quem emitiu a nota? É… Sérgio Moro, Juiz Federal de primeira instância em Curitiba, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. E Juiz emite nota? E Juiz julga “qualidade”, “atuação eficiente” e independência de Ministros do Supremo?

Não entendi nada.

Então vamos com calma. Primeiramente a emissão de notas…. Independentemente de ser a favor ou contra, ele (O Moro, enquanto Juiz e o é em tempo integral), não tem prerrogativa, direito ou a liberdade de emitir notas, cobrado ou não pela imprensa, sobre um (teoricamente), superior seu, sobre alguém igual a ele ou subordinado a ele. Juízes julgam, decidem, ordenam, mas, sempre nos autos.

Segundamente o julgamento em si na nota que o Moro emitiu: Quer dizer que o Edson Fachin é “competente” e tal… E aí me pergunto: É bajulação ou ameaça? Bajulação para que seus processos encaminhados ao STF sejam vistos com boa vontade, mesmo com os rombos jurídicos, as “ilações” que saltam à vista, mas passam batido a depender dos interesses da hora?

Ameaça, tipo assim: Olha! To emitindo uma nota pra que você saiba que sei da sua vida…

Lembro aqui que Fachin foi criticado por Aécio Neves, como “um ministro do Supremo Tribunal com vinculações e compromissos partidários”, referindo-se a um vídeo de apoio a Dilma em 2010 e à atuação do Ministro (quando não era Ministro), a favor dos Trabalhadores Sem Terra. Nenhum destes teriam pejo de usar estes argumentos contra qualquer decisão do novo relator…

Mas, vamos às ilações. Sonham todos os “intelectuais” e “homens da ciência” e os de “notório saber”, jurídico e filosófico, que tem o “direito”, alguns acham até que tem o “dever”,  de conduzir as massas abrutalhadas no caminho da salvação.

Com o Impeachment da Presidente Dilma, patrocinado, incentivado e apoiado por vocês sabem quem e a colocação do “sem voto” na cadeira presidencial abre-se a oportunidade de ouro para estes sapientes seres humaninhos. Acreditam piamente que são pilares da verdade e salvadores da Pátria. Suas opiniões são absolutamente irretocáveis e que o Povo nunca vai aprender a votar, aliás, para que voto?

Diante disso, como se contentar em ser apenas um fâmulo? Querem o mando, o poder, colocar em prática a receita própria para todos os males.

Ai de nós! A banalidade com que encaramos, percebemos e recebemos as mais insólitas manifestações, seja de violência criminosa nua e crua, eleitoral, judicial, policial ou institucional, nos coloca lá atrás no desenvolvimento de uma Pátria democrática e livre.

PS: Ao buscar a íntegra da nota do Juiz Sérgio Moro, vejo que o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu sobre o mesmo tema. Critica, como também faço. Então, olhem bem… O golpe dentro do golpe está sendo gestado… Ou alguém aí tem dúvida para qual lado o Reinaldo trabalha?

PS1: Ah… A palavra “fâmulo” que usei aqui é um adjetivo usado para definir o Reinaldo Azevedo.  

Manoel Leão, Jornalista

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