Dr Salvador Carvalho tira dúvidas sobre a Febre Amarela

Mal começou 2017 e o Brasil está registrando o maior surto de Febre Amarela nos últimos 37 anos. Nessa segunda-feira (6), o país chegou a 180 casos confirmados da doença e 65 mortes, conforme o Ministério de Saúde.

O estado de Minas Gerais é o mais afetado, com 158 casos confirmados. O Espírito Santo tem 18 infecções comprovadas e São Paulo está em terceiro lugar no número de casos: quatro confirmados. Já a Bahia e o Tocantins receberam notificações – 11 e 4, respectivamente -, mas ainda precisam de investigação para comprovar a infecção pelo vírus.

Devido alguns municípios baianos fazerem parte da área endêmica e da proximidade de Minas Geras com a Bahia, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) reforçou a campanha de vacinação no mês passado em 45 cidades. Entre elas estão Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado e Sobradinho todas próximas a Juazeiro.

Junto ao medo da população muitas dúvidas surgiram. Segundo o médico Salvador Carvalho, não há necessidade para pânico por a febre amarela já ser uma doença conhecida. “A febre amarela já é conhecida, bem diferente da Zika e Chikungunya que foram as últimas epidemias que tivemos. É uma doença que a gente conhece a prevenção (através da vacina) e, além disso, é uma doença que se sabe como conduzir e acompanhar o paciente”, explica.

Pensando em acabar com algumas das dúvidas, o Portal Preto no Branco entrevistou o Dr Salvador para falar sobre a Febre Amarela.

Formado pela Escola Latino Americana de Medicina em Havana – Cuba, Dr Salvador trabalha na Unidade de Saúde da Família do bairro Parque Residencial, no em Juazeiro. Atua como médico plantonista no Hospital Regional de Juazeiro e no Hospital da Criança, ambos na mesma cidade. Também cursa especialização em Pediatria Clínica na Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo – FACIS.

Entrevista- Por Fernanda Marins

P.B: Há dois tipos de febre amarela? Quais são eles e suas diferenças?

S.C.:febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por duas espécies de mosquitos: O Haemagogus, que transmite o vírus de forma silvestre, e o Aedes Aegypti nas áreas urbanas.

P.B: Quais os sintomas da febre amarela?

S.C.: Geralmente quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso.

P.B: Quanto tempo leva para a doença se tornar aparente e como suspeitar?

S.C.: Indivíduo com quadro febril agudo (até 7 dias), de inicio súbito, acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, residente em (ou procedente de) área de risco para febre amarela ou de locais com ocorrência de epizootia confirmada em primatas não humanos (PNH) ou isolamento de vírus em mosquitos vetores, nos últimos 15 dias, não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado.

P.B: O que uma pessoa deve fazer se apresentar os sintomas? Qual o tratamento da doença?

S.C.: Procurar um serviço de saúde e um médico, como por exemplo as unidades básicas de saúde do SUS em seu bairro. Não existem medicamentos específicos contra o vírus da febre amarela. Não devem ser utilizados anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico (AAS) pelo risco de hemorragias. Ou seja, o melhor tratamento é a prevenção.

P.B: A febre amarela é contagiosa?

S.C.: Não, sua transmissão necessita de um vetor, os mosquitos já mencionados.

P.B: Como a doença pode ser evitada?

S.C.: Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do “fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

P.B: Quem deve se vacinar?

S.C.: Só é recomendada a vacinação para febre amarela em pessoas vivendo ou que vão viajar para áreas endêmicas para febre amarela, conforme mapa do Ministério da Saúde (abaixo)

  • Neste grupo a vacina é recomendada para pessoas entre 9 meses e 60 anos de idade, desde que não estejam imunossuprimidas, gestantes, mulheres em lactação e pessoas com doença no timo (ver texto para melhor discriminação dos grupos e exceções).
  • Pessoas com mais de 60 anos deverão ser avaliadas em relação ao risco/benefício para recomendação de vacinação.
  • Quando não há possibilidade de vacinação de pessoas visitando áreas endêmicas, deve-se reforçar medidas de proteção como uso de repelentes.
  • Repelentes podem ser utilizados em crianças a partir de 2 meses de idade, segundo recomendações internacionais.
  • No Brasil, a ANVISA só recomenda a utilização de repelentes a partir de 6 meses de idade .

P.B: Cidades próximas a Juazeiro, como Sobradinho e Remanso, estão entre a área de vacinação recomendada pela SESAB. Porque essas cidades estão entre as recomendadas para imunização?

S.C.: Por serem municípios fronteiriços dos estados onde a doença é endêmica, como a zona da mata por exemplo.

 P.B: Quem for visitar uma das 45 cidades que a SESAB recomendou vacinação deve se vacinar também?

S.C: Preferencialmente sim.

 

 

 

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