José Mayer, a secretária de Mulheres de Salvador e o machismo, Por Sibelle Fonseca

 

Taissa Gama, Secretária de Públicas Públicas para Mulheres de Salvador/ Bahia, 39 anos.

José Mayer galã global, sonho de consumo para uma porrada de mulheres que eu conheço, 60 anos.

Uma jovem mulher e um homem sessentão.

O que os dois têm em comum?

Dou uma tela de Frida pra quem pensar comigo.

Então vamos lá … Ambos fazem parte da mesma construção social. Ambos são vítimas do machismo e são algozes da sociedade. Fazem mal a ela e não é pouco.

A secretária, agressiva e transtornada, xingou uma ex-funcionária de puta e vagabunda. Violência moral. E também não deixa de ter algo de sexual no impropério de Taissa. Por que querer atacar a mulher, justamente, no seu lado puta? Se é a mulher que deve ditar as regras do seu corpo e dá pra quem quiser,  o que é ser puta? Aquela que só dá a um, mas dá exato para o marido da outra? É aquela moça de corpo bem feito que veste um short coladíssimo e sai na avenida? A loura gostosa da praia que atrai os olhos do “marido alheio”? A “periguete” maravilhosa que vira a ameaça da mulherada na balada? Aquela ruiva desatenta que lhe deu uma fechada no trânsito? A negra empoderada e bela que impõe seu jeito de ser? Ou aquela colega de trabalho que ousa falar, se posicionar, opinar, divergir e enfrentar?  E vagabunda, que classificação teria? A desocupada ou a desempregada? A negra, a ousada, a petulante, a devassa, a desaforada, a sem papas na língua? Como seria a puta e a vagabunda na classificação de Jose Mayer?

O galã foi acusado pela figurinista Susllem Tonani, 28 anos, de assédio moral e abuso sexual.  Será que ele classificou a moça de puta ou de vagabunda? O bonitão grisalho confessou que usou palavreado impróprio e teceu comentários de cunho sexual com a moça. Ela, durante meses, ficou envergonhada, sem graça, mas viu, ouviu e sentiu muito o fedor do garanhão machista.

Ele chegou a tocar em partes íntimas da figurinista, pessoa de “status” abaixo do seu, a ralé dos sets de filmagem, sem o consentimento dela. O ator mineiro também insultou a moça quando ela passou a lhe evitar. Tudo porque ela lhe disse não, lhe deu o fora, o rejeitou. Em um site de frases o experiente sessentão já teria dito “Nós, homens, somos canalhas com mais competência”.

 Será? Que diferença existe entre a canalhice de homens, e algumas mulheres, ainda adoecidos pelo machismo ? O pau que bate em Tassia, bate em José.

E os dois juntos dão na cara do respeito às mulheres. Eles padecem do mesmíssimo machismo que constrange, ameaça, fere, agride, aleija, mutila e mata as mulheres. É este mesmo machismo que espanca cinco mulheres a cada 2 minutos no Brasil. Que estupra uma mulher a cada 11 minutos. Que matou, somente em 2013, 4.762 mulheres. O mesmo responsável por um país com  4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. O mesmo que coloca a mulher com um salário 30% menor, exercendo a mesma função de um homem.  

O mesmo que sustenta que moça andando tarde na rua merece ser estuprada e quer abrandar a pena para estupro de vulneráveis. O mesmo machismo que matou a travesti Dandara e tira foto com o goleiro Bruno. Prega no tanque do carro um adesivo com a figura de Dilma em posição ginecológica e aplaude a “bela, recatada e do lar” do golpista temer.

O mesmo machismo que contrata condenado de estuprar adolescente para o carnaval baiano e está aí julgando este texto que ora lê. O mesmo que apoia o comportamento de Tassia e liga a novela das nove para ver José Mayer, “o comedor”, que na tela posa de galã e na vida real assume seu lado ‘bandido’ “Mulher gosta de pegada firme ou de um tapa. Na natureza, o macho é forte, é caçador,” parafraseando o ator.

Ambos, Tassia e José, passaram da hora de aprender que “O mundo mudou. E isso é bom” Que se precisa querer mudar junto com ele.

Então, que façam logo o “movimento de mudança.”

E que mais que um pedido público de desculpas, façam do respeito às mulheres um hábito cotidiano no público e no privado.

 E mais, que cuidem do que pensam, do que sentem, do que falam.

Que ambos, e todo o mundo machista, reflitam exatamente sobre a frase da carta do ator em recuperação da doença do machismo: “Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são.

 “Aprendi nos últimos dias o que levei 60 anos sem aprender”.

Sim , Mayer, uma mudança dolorosa, mas necessária! Sim, Tassia, aprenda agora o que levou 39 anos sem aprender.

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