50 Tons de Pinza, arte para celebrar uma vida

Nos próximos dias 21 e 22, Curaçá(BA) vai festejar o aniversário de um dos seus filhos com muita arte e orgulho. O menino do São Bento que virou doutor estará completando 50 anos de vida: Josemar Martins Pinzoh, um apaixonado pela sua terra e sua gente, amante das artes, compositor e um educador engajado e respeitado no meio.

A programação começa no dia 21, com apresentação da peça “Mininotauro”, que conta a sua história.No dia 22,  acontece o show “50 Tons de Pinza”, quando o aniversariante vai cantar suas composições e interpretar canções que marcaram fases da sua vida. Os dois eventos acontecerão no centenário Teatro Raul Coelho.

O Portal Preto No Branco conversou com Pinzoh sobre esta festa cultural e também sobre a experiência apreendida neste meio século de existência.

Entrevista-Por Sibelle Fonseca:

PNB: Comemorar os 50 com arte. Era um desejo que alimentava?

PZ: Sim. Primeiro porque é uma data simbólica. Depois porque a arte, especialmente a que fazemos em Curaçá há mais de 30 anos, todos os anos, no Teatro Raul Coelho e noutros espaços da cidade, é parte da minha vida, é minha grande universidade. Em terceiro lugar porque há mais ou menos 5 anos, quando nossa geração começou a entrar nos 50, nós começamos a fazer eventos culturais alusivos a esses amigos. É uma forma de falar deles e falar da cidade, de nossas visões de mundo, de nossas opções políticas e estéticas, de nossos afetos. É uma grande confraternização que fazemos fazendo arte. A partir dos 28 anos eu passei a fazer aniversário todos os anos e sempre foi um espaço para o encontro com os amigos através da arte, da música, da poesia! Então não podia ser diferente agora, e por isso mesmo escolhi Curaçá, escolhi o Teatro Raul Coelho para fazer essa passagem importante na vida da gente.

PNB: Aos 50, como se sente?

PZ: Aos 50 me sinto com muita vontade de viver e de qualificar mais ainda a vida, fazendo escolhas importantes como, por exemplo, estar mais próximo das pessoas que gosto e que gostam de mim, ser mais sincero, mais simples, me ligar mais ao chão, sem deixar de ter asas globalizadas. Muitas vezes me sinto menino, traquino, mas o corpo já indica que o tempo é outro, e eu sei que tenho que gerir essa conciliação. Por isso tenho que cuidar do espírito e do corpo. Do espírito eu cuido com risos e poesia, e isso já tá de bom tamanho. Do corpo eu preciso organizar melhor as coisas, fazer escolhas. Mas nada que sacrifique o riso e a poesia.

PNB: Já dá pra compartilhar o que aprendeu neste meio século? O que diria pra os mais jovens?

PZ: Eu diria aos mais jovens que este também é meu tempo. Nada desse negocio de que “no seu tempos era…”. Meu tempo é hoje, quero dividir com os mais jovens as responsabilidades por este mundo e me divertir neste mundo com os mais jovens, mas desde que eles entendam que o mundo não começou ontem, o mundo é velho, e sobre essa velhice do mundo eu posso contar muitas coisas. Não gosto de jovem arrogante, cheio de razão, que acha já sabe tudo. Sou professor e sei que, não apenas a gente aprende muito com os mais jovens, mas também que há muito jovem que acha que não precisa saber de mais nada, apenas porque está com um celular na mão. Em relação a muitos deles, na idade deles, num tempo onde não havia as multiconexões de hoje, nós éramos muito mais antenados. Hoje as possibilidades de acessar conhecimentos é grande, o problema é que nem tudo que está disponível no ciberespaço é conhecimento. Tem muita coisa fake, muita conversa besta. Então, eu aconselho também a ouvir os mais velhos, enquanto guardiões de uma memória vivida. O mundo hoje é muito mais aberto, mas ele também é cheio de caretice, de divisões. Eu prefiro as pessoas de cabeça boa, jovem ou mais idosa. A juventude que eu gosto é a de espírito. Então os jovens têm que ter cuidado para não serem mais  velhos que os velhos, pois isso é possível. Além disso, o mundo não exige apenas o deboismo hedonista não, há muito o que fazer para tornar o mundo mais agradável, mais bonito, mais sustentável e poético. O riso e a poesia não são uma coisa meramente pessoal e subjetiva, essas coisas se podem agregar aos ambientes sociais também. Espero que os jovens tenham interesse nisso também, afinal, vamos ter que dividir esse mundo ainda por algum tempo.

PNB: Envelhecer te angustia?

Se envelhecer me angustia? Um pouco, principalmente quando há pessoas mais jovens do nosso lado que a gente gostaria de desfrutar mais da companhia delas por mais tempo. Ou quando o espírito continua querendo fazer coisas que o corpo já não acompanha tanto. Mas, o bom é que não somos apenas nós que envelhecemos: tudo e todo mundo envelhece, as coisas, os amigos, as estradas(risos). E em razão disso, novas estradas se abrem, novos amigos chegam. A gente também se renova, envelhecendo. Bom, tem coisas que a gente não faz porque nossa cabeça vai adotando novas posturas, novas opções! Enfim, vamos nos adaptando. É preciso fazer um esforço para não ser nostálgico! É preciso achar coisas novas em que se apegar. E é preciso não jogar fora as pessoas e as coisas que foram importantes na sua vida. Não que isso seja sempre tranquilo. A parte mais chata são as questões de saúde, é preciso ter cuidado. Mas a vida não é uma matemática exata. Essa é a sua graça!

PNB: 50 tons de Pinza, como será?

PZ: 50 Tons de Pinza é um evento constituído de duas atrações: uma peça chamada Mininotauro, com direção de Luís Sergio Ramos, Serginho, que é um diretor de teatro competente, ganhador de dois Bahia Aplaude, que dirigiu O Estado da Arte da Fuleragem comigo, que foi diretor de cultura de Curaçá, enfim, ele está fazendo uma peça promovida pelos meus amigos curaçaenses que fazem o movimento cultural lá chamado Curaçarte. A peça vai ser dia 21/04, sexta-feira, às 20:00, no Teatro Raul Coelho. E no sábado, dia 22/04, haverá show 50 Tons de Pinza, em que eu vou cantar e contar alguns episódios que vivi e convidar outras pessoas, amigos e amigas, para cantarem comigo. É a primeira vez que estou fazendo isso, por isso estou um pouco tenso. Mas, como não sou e nem pretendo ser cantor profissional, vou fazer do meu jeito e pedir que as pessoas recebem como um presente. No teatro também terá Begão, com uma máquina de pintura para cada pessoa ir lá e fazer uma arte para levar de lembrança. E tem também, no sábado, depois do show, uma discotecagem com DJ Jocélio Bello. É muita diversão e confraternização. É bom lembrar que Curaçá, por si só é uma atração, a cidade, o teatro, o museu, o casario, o rio, a Ilha da Coroa e outras ilhas próximas. Enfim, vai ser isso!

PNB: Qua sua expectativa pra este evento que levará seus amigos pra Curaçá?

PZ: Minha expectativa é que meus amigos venham pra Curaçá e a gente faça uma grande festa. Muita gente que mora fora já confirmou e outras que moram longe se desculparam pela impossibilidade. Mas o que sei é que muita gente vai a Curaçá pela primeira vez e isso vai ser uma oportunidade para as pessoas conhecerem a cidade e suas potencialidade. Tem gente que chega lá e diz “nossa,  eu quero fazer um filme nessa cidade”. A ideia também é essa: que as pessoas se encantem pela cidade!

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