Opinião: E a internet, produziu uma legião de idiotas? Por Juliano Ferreira

Foto: Catharine Matos

A liberação do polo de emissão, um dos princípios da cibercultura, amplamente discutido por Pierre Levy e André Lemos, associado ao barateamento e acesso mais fácil das tecnologias produziu um problema para o jornalismo.

Sites ditos noticiosos se proliferam de uma forma assustadora e com uma capacidade muito grande de disseminar seu conteúdo. Com um layout geralmente profissional, editorias organizadas na parte superior, muitos desses sites, passam, para o leitor médio certa credibilidade, ainda mais quando dizem exatamente aquilo que corrobora com o pensamento de quem está lendo.

No entanto, após uma leitura mais cuidadosa e crítica percebemos o engodo de tais textos. Não há fontes e quando há, não são confiáveis. A leitura é atropelada em estilo. Mal escrita. Erros grosseiros de gramática normativa e sem assinatura. Sem contextualização e sem narrativas de fôlego.

A pós-verdade, palavra do ano em 2016, eleita pela Oxford Dictionaries, departamento de Oxford responsável por dicionários, diz que é um substantivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Ou seja, não importa se a informação posta ali é credível, mas sim que ela corrobora com o pensamento de quem lê, suas ideias e crenças, então ela é para o leitor, a sua verdade. A busca pela objetividade jornalística é posta de lado e pouco importa se a fonte é ‘pós-verdade’, porque ela diz aquilo que se quero ler.

Tarefa complexa escrever jornalisticamente e com qualidade hoje em dia. Se é verdade que a internet liberou o polo de emissão como apontam os teóricos citados acima, também é verdade o que disse Umberto Eco, a internet produziu uma legião de idiotas. Ou eles já estavam ai sem que percebêssemos e agora todos podem falar, escrever e serem lidos. Viva a pós-verdade! Perde o jornalismo, perde o leitor, confuso na cacofonia de vozes que se apresenta diante dele. Eis a capacidade de, mais uma vez o jornalista e o jornalismo se reinventarem.

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