Programa Bioma Caatinga incentiva o empreendedorismo rural no norte da Bahia

 

Os municípios de Juazeiro, Curaçá, Casa Nova, Uauá e Remanso, no norte da Bahia concentram o maior rebanho de caprinos e ovinos do país. São quase seis milhões de cabeças desses animais. E para orientar os produtores e empresas rurais que atuam nessa atividade, o Sebrae, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, desenvolveu o Programa Bioma Caatinga, que visa que capacitar os produtores no campo com conhecimento técnico, desde noções de gestão, assistência técnica e ambiental,  manejo de rebanho, comercialização dos produtos, acesso a mercados consumidores.

O programa vem sendo desenvolvido na região semiárida desde 2014, já foram realizados dois ciclos do Bioma com o apoio de uma equipe de profissionais, entre técnicos agrícolas, zootecnistas e veterinários, na sede e zona rural dos munícipios. Além de atender os produtores rurais no campo, a estratégia do programa também integrou empresas de diversos segmentos que estão ligadas a caprinovinocultura, como casa de rações, lojas de produtos veterinários, abatedouros, açougues, frigoríficos, mercadinhos e supermercados.

Nesta quinta (21) e sexta (22) o representante da Fundação Banco do Brasil de Brasília, Amarido Carvalho, visitou algumas comunidades de Casa Nova e Juazeiro que foram contempladas pelas ações do Bioma Caatinga. O assessor técnico acreditava que devido à estiagem prolongada encontraria uma situação caótica, mas ficou surpreso com os resultados que o programa já promoveu no campo. “Presenciei produtores implantando tecnologias no campo, como o sistema de confinamento, produzindo e estocando alimentação, melhorando a qualidade do rebanho e conseguindo avançar na comercialização. Credito esse sucesso à intervenção do programa, à orientação dos técnicos agentes de desenvolvimento sustentável e o engajamento dos produtores”, disse Amarildo.

O produtor rural José Roberto Neto e outros produtores da Fazenda Icó, localizada a 70 km da sede de Juazeiro, receberam as orientações e acompanhamento do Bioma Caatinga, mudaram a forma de reproduzir, alimentar e comercializar o rebanho de mil animais e aumentaram a produção e o faturamento do negócio. “A gente não pode parar, avançamos muito na gestão da propriedade rural, qualidade dos animais e principalmente na comercialização da carne e acesso a novos mercados. A presença do técnico na propriedade foi fundamental. Nossa expectativa agora é acessar crédito para investir e crescer ainda mais”, comemora o produtor.

A produtora rural, Edilene Passos, também viu muita coisa mudar na propriedade da família, localizada na comunidade Belmonte, em Casa Nova. “Antes cada produtor trabalhava do seu jeito, com muita carência e sem informação. O Programa Bioma Caatinga mudou essa realidade. O técnico trouxe conhecimento e esperança. A gente sofria em estiagens como esta, mas com orientação, ao mesmo tempo em que criamos os caprinos e ovinos, plantamos na propriedade palma e silagem, que vai alimentar os animais. Ainda tem muito a fazer, mas já melhoramos bastante”, disse Edilene.

A segunda etapa do Programa Bioma Caatinga atendeu mais de mil produtores rurais de caprinos e ovinos e 186 Micro e pequenas dos cinco municípios. No total foram investidos R$ 1,5 milhões na atividade, para melhoria de gestão, inovações e acesso a mercados.

O coordenador do Bioma Caatinga e técnico do Sebrae em Juazeiro, Carlos Robério Araújo, explica que o programa foi construído em três ciclos. No primeiro a função era identificar os produtores, os territórios de atuação e iniciar a orientação técnica. Em seguida o foco foi na orientação gerencial e técnica, para incentivar o produtor a mudar a forma de criar o animal.

A expectativa agora é pelo terceiro ciclo, que objetiva agregar valor a atividade da caprinovinocultura, trabalhando a essência do empreendedorismo. “Graças ao trabalho em equipe, a metodologia de trabalho do Sebrae, a parceria da Fundação Banco do Brasil e a adesão dos produtores rurais conseguimos obter excelentes resultados no campo e na cidade. Para avançar ainda mais a meta é incrementar a rentabilidade junto as propriedades e incentivar cada vez mais o consumo”, finaliza Robério.

Lucilene Santos/Agência Sebrae de Notícias Bahia

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