“O que está por trás do caso Beatriz?” – por Sibelle Fonseca

Os mais de 760 dias do crime brutal, que tirou a vida da menina Beatriz Mota, ocorrido no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, não foram suficientes para que a polícia pernambucana chegasse ao(s) assassino(s).

Por mais incrível que pareça, o crime praticado durante uma festa no colégio, com quase três mil pessoas, não deixou vestígios, nem de sangue. Um crime cercado de mistérios. Um crime marcado por uma sucessão de erros, desde o início. Incrível, mas até hoje não se sabe, sequer, o local exato em que a criança foi executada.

Em dois anos e um mês, quatro delegados assumiram as emperradas investigações. Um, a cada seis meses em média. Duas imagens do possível assassino, completamente distintas, foram divulgadas pela polícia. Uma demonstração do  trabalho baratinado, do completo despreparo e da falta de investimento em estrutura e em pessoal competente para desvendar o crime bárbaro.

As linhas de investigação não chegam a ponto algum e, mesmo com a pressão dos familiares e do movimento que clama justiça para o caso, até agora nada. De concreto nada. Só especulações, promessas, poucos e tímidos discursos de alguns, creio que por vergonha de passar um atestado de incompetência, e um silêncio sepulcral, que eu escuto como uma confissão de que tem algo muito estranho no ar, no inquérito e em tudo que ronda este crime.

Crime perfeito? Numa rápida e rasa pesquisa de internet, achei a definição de crime perfeito. Diz ser “aquele cometido com tal planejamento e habilidade que nenhuma evidência é deixada e o culpado não pode ser encontrado. Um crime não detectado depois de cometido ou, ainda, quando não deixa suspeitas que justifiquem uma investigação”.

Ao pé da letra, o caso Beatriz Mota não se enquadra nesta definição. Impossível acreditar que, em uma instituição tradicional de ensino religioso, num evento com centenas de pessoas e câmeras de segurança(sim, elas existiam), NINGUÉM tenha visto nada.

O que está por trás do assassinato da menina de 7 anos aluna e filha do professor do colégio, além da falta de recursos policiais, a incompetência nas investigações, a preguiça do Ministério Público e o “faz- de- conta” do estado de pernambuco de que está se importando com o “caso número 01”?

Que assassino mais competente foi este que não deixou nenhuma evidência, nem na entrada e nem na saída, capturando uma criança no espaço da escola para executá-la, livremente, sem ser visto por ninguém?

Se agiu com outros, então, a hipótese de crime perfeito cai por terra e reforça as suspeitas de que há mesmo muito mistério neste crime.

Longe de desejar, levianamente, entrar no mérito das investigações, o que não me caberia, os questionamentos que faço são os mais óbvios e de senso comum. Do início até agora, a forma de investigar este crime, sub-estima a inteligência de qualquer um, o que causa revolta.

Chaves que desaparecem, reforma em espaço da cena do crime, imagens do suspeito recuperadas tempos depois, contradições em depoimentos à polícia, DNA conhecido, arma apreendida, mais de 16 suspeitos, etc, etc e um processo constituído de 16 volumes.

Não, não se trata de um crime perfeito, até eu que sou leiga sei disso.

Mais de 760 dias após o crime, cuja investigação não avança, mudo a pergunta que me persegue desde aquele 10 de dezembro de 2015 “Quem matou Beatriz”? para “o que está por trás do caso Beatriz” ?

Seria pura incompetência do Estado não conseguir desvendá-lo ou há uma teia bem armada para que o caso caia no esquecimento?

Enquanto as autoridades não respondem, eu pergunto, com a intenção de que esta página não seja virada para o bem dos malfeitores.

Trabalhem, autoridades! Os senhores já tiveram bastante tempo para isso. Paciência é tudo que não lhes devemos mais. Vamos lá, levantem-se de suas cadeiras, saiam dos gabinetes, parem com as justificativas e desculpas. Parem de esperar que o Disque Denúncia os leve ao (s) assassinos. Apresentem resultados! Os senhores são muito bem pagos, por nós, para isso.

Ou então, joguem a toalha e assumam que este foi um “crime perfeito” para a incompetência de um Estado mal aparelhado, em todos os sentidos. Um Estado frouxo no cumprimento de suas obrigações, ou quem sabe um Estado covarde, conivente, que se rende às pressões e entra numa trama muito mal contada.

Da Redação por Sibelle Fonseca   

Foto: Movimento Beatriz Clama Por Justiça

3 Comentários

  1. Maria Izaurina Batista

    Sou leiga no assunto,mas também acredito que não se trata de crime perfeito e sim um crime do qual alguém não pode ser acusado, talvez por sua influência na sociedade.Eu desde cedo acredito nisso.

  2. Na minha opinião eles estão encobrindo alguém l! Pois não tem condições de eles não terem nem uma conclusão,nem uma resposta para esse crime brutal

  3. Na minha opnião tinham a quebrar todo o piso dessa sala q foi reformada, quebrar fundo ñ só o piso.
    Construções antigas escondiam muito embaixo do chão.

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