Janeiro Roxo: Médico Salvador Carvalho fala sobre diagnóstico e tratamento da Hanseníase

Durante todo o mês de janeiro, a associações médicas e o governo realizam campanha “Janeiro Roxo”, que tem como objetivo o combate à hanseníase. O Brasil é o segundo país com maior número de casos de doença, ficando atrás apenas da Índia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), instituição responsável pela campanha.

A hanseníase é contagiosa e infecciosa. E para falar sobre o diagnóstico e tratamento da doença, a repórter Yonara Santos do  Portal Preto No Branco entrevistou o Médico Salvador Carvalho, formado pela Escola Latino Americana de Medicina em Havana – Cuba.

Atualmente ele trabalha na Unidade de Saúde da Família do bairro João Paulo II, em Juazeiro-BA. Salvador Carvalho também é residente de Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, em Petrolina-PE e emergencista no Hospital Regional de Juazeiro.

ENTREVISTA – POR YONARA SANTOS

PNB: O que é Hanseníase?

S.C: A hanseníase, comumente conhecida como lepra, é uma doença infecciosa causada pela bactériaMycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, que lesiona os nervos periféricos e diminui a sensibilidade da pele.

PNB: Quais os sintomas mais comuns da Hanseníase?

S.C: Os sintomas da hanseníase incluem:- Sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades; manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato; áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor; caroços e placas em qualquer local do corpo; diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos).

PNB: Como a pessoa pode identificar que está com hanseníase?

S.C: Através de manchas no corpo com perda da sensibilidade, olhar o próprio corpo é muito importante. O diagnóstico consiste, principalmente, na avaliação clínica: aplicação de testes de sensibilidade, força motora e palpação dos nervos dos braços, pernas e olhos. Exames laboratoriais, como biópsia, podem ser necessários.

PNB: Como se transmite a hanseníase?

S.C: Através do contato com o bacilo de Hanse. Esta doença é capaz de contaminar outras pessoas pelas vias respiratórias, caso o portador não esteja sendo tratado. Entretanto, segundo a Organização Mundial de Saúde, a maioria das pessoas é resistente ao bacilo e não a desenvolve a doença.

PNB: Qual a importância de examinar os contatos?

S.C: Para saber se houve ou não a infecção e em tempo ser tratada ou prevenida.

PNB: Porque nem todas as pessoas infectadas adoecem?

S.C: Porque a infecção tem relação direta com a imunidade do paciente.

PNB: Como é feito o tratamento da Hanseníase?

S.C: Ambos os tipos (paucibacilar e multibacilar) são tratados com o antibiótico rifampicina, durante seis meses no tipo paucibacilar e um ano no tipo multibacilar. A medicação é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde e administrada em doses vigiadas nas Unidades Básicas de Saúde sob a supervisão de médicos ou enfermeiros de acordo com normas da OMS.

PNB: O que acontece quando o paciente abandona o tratamento?

S.C: Pode acometer outros órgãos e aparecer sequelas como a deformação do rosto ou da pele.

PNB: Qual a situação do Brasil com relação à Hanseníase no mundo?

S.C: Com cerca de 30 mil novos casos por ano, correspondendo a uma média de 15 pessoas contaminadas a cada 100 mil habitantes, o Brasil é o único país do mundo que ainda não alcançou a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) para a hanseníase em 2015. Infelizmente a doença ainda é muito negligenciada pela saúde pública por se tratar de uma enfermidade que afeta as populações mais pobres.

PNB: Recomendações?

S.C:* Não desista do tratamento, que é longo, mas eficaz se não for interrompido. A primeira dose do medicamento é quase uma garantia de que a doença não será mais transmitida;

* Convença os familiares e pessoas próximas ao doente a procurarem uma Unidade Básica de Saúde para avaliação, quando for diagnosticado um caso de hanseníase na família;

* Não fuja dos portadores de hanseníase, uma doença estigmatizante, mas que tem cura, desde que devidamente tratada

Da Redação

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