Sempre Aos Domingos, por Sibelle Fonseca: “Vou aproveitar esta quaresma para me abster de posts idiotas”

Vou fazer uma confissão. Tenho, frequentemente, me sentido mal com o que vejo e também faço nas redes sociais, cada dia mais anti-sociais.

Nos tornamos ridículos. Patéticos. É muita baboseira, muita bizarrice e comportamentos toscos, muito ego inflado, muitos intelectuais de merda, um sem fim de bobos da corte e muita palhaçada; Filósofos de plantão têm as tuias, síndrome de celebridade, desfile de vaidades, enxurradas de imbecilidades, escritores e comentaristas com opinião formada sobre tudo, fajutos formadores de opinião, rosários de frustrações, indiretas chulas, muito ódio, lavação de roupa suja, futrica de vizinhos, felicidade e notícias falsas, discursos sem fundamento, vômitos, em jato, de opiniões, fotos e fatos desumanos, fiéis endiabrados, conservadores odiosos, desabafos tolos, “esquerdistas” armados, tolerâncias burras e intolerâncias mais burras ainda, humor de ácido corrosivo, “maria-e-joão” vão com os outrxs.

Nos transformamos numa manada ensandecida que posta, como quem faz bosta. Substrato das vaidades.

Pesquisei a minha, e outras timelines e fiquei foi com vergonha de mim e com vergonha alheia também.

Que post mais idiota aquele meu querendo mostrar ao mundo que estou de bem com a vida! Pra que isso? Segura teu encantamento aí dentro, mulher. E que coisa mais sem graça aquele outro mostrando o que fez ou o que vai fazer! Quem, realmente, quer e precisa saber da sua vida, tá perto de você, pessoa.

Tem muito post mentiroso, assim como têm sorrisos falsos e armados para a hora do click. Tem que parecer felicidade. E tome-lhe fotos de biquinho, de peitão, fotos de comida, de família feliz, de gente “partiu academia”, de gente “sextou nos bares” e uns #Tbts usados de segunda a segunda por quem nem procura saber o que é isso mesmo.

E as imagens de estropiados, feridos, mortos, expostos, acidentados, hein? A dignidade humana foi pra o ralo. Tudo é espetacularizado. Tudo vira meme. Tudo vira bosta.

Tem muita besteira. Uma profusão de crueldades, ódios e frustrações disseminados. Tem a covardia do anonimato dos fakes de plantão, que cara a cara não tem coragem pra nada, mas que se escondem atrás de pseudônimos para expressar seu mal caratismo.

Tem muita informação sem conhecimento, o que ao meu ver, tá mais para desinformação e desserviço.

Tem garoto de 16 anos defendendo a volta da ditadura militar, sem saber pn dos anos de trevas. Tem adulto cristão defendendo mito que recomenda a violência como solução pra tudo.

Troca de farpas e de ripas, tem aos montes também!

Tá feio! Paremos, que tá feio! O mundo tá um caos generalizado. No virtual e no real, um caos só.

Estava certo Umberto Eco quando disse que as redes sociais davam acesso à palavra a uma ”legião de imbecis”, cujas conversas – antes restritas à mesa de bar – são agora lançadas ao mundo, de forma irresponsável e contagiosa.

Não me excluo desta legião não. Por isso, me prometi que vou aproveitar esta quaresma para me abster de posts idiotas. Vou acionar o ícone do bom senso, coisa que recomendo aos imbecis como eu.

Eu até poderia passar a régua e fechar minha conta. Volta e meia, penso nisso. Mas ainda não posso. Por ofício ou vício, necessidade, prisão, precisão ou imposição, vai saber…

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.

 

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