“Para que serve o medo?”, por Luciandra Pinheiro

Para que serve o medo?

Como poderíamos conceituar o que é medo? Podemos afirmar que se trata de um sentimento primitivo, talvez um dos mais arcaicos pertencentes à espécie humana. É ao mesmo tempo familiar e estranho, por se apresentar com intensidades diferentes, mobilizando a mente e o corpo para enfrentar qualquer tipo de ameaça.

Nosso cérebro é programado para sentir o maior número de medos possíveis, e através da combinação das predisposições inata e ambiental, manifestamos de formas e intensidades diferentes os nossos medos. Reconhecer que estamos vulneráveis e que os partilhamos em algum grau com todos os que estão a nossa volta não diminui o temor, mas nos ajuda a saber que somos iguais. Todos sentimos medo de alguma coisa, seja de escuro, de animais, de água, de altura ou até mesmo do bicho papão.

Ao mesmo tempo que consideramos como algo assustador, reconhecemos que o medo tem como principal função nos proteger. De forma contraditória, ao chamar nossa atenção para um risco iminente, permite que também nos preparemos para enfrentá-lo, nos colocando em estado de alerta diante dos perigos reais ou imaginários.

Em sua frequência normal, o medo tem de se desfazer rapidamente quando passa o perigo ou até mesmo quando percebemos que não se tratava de algo tão ameaçador. Caso contrário, se torna inútil e extremamente perigosa a desregulação desse processo, provocando ataques de pânico que aniquilam as nossas capacidades de reação, como uma espécie de paralisia momentânea.

Sentir medo faz parte do contexto de todas as civilizações. Um afeto que nasceu com o próprio homem, provocado diretamente pela consciência do perigo. Ainda que de forma real ou imaginária, o medo não pode ganhar espaço dentro de nós, é preciso botar os pés no chão e manter o controle de nossas vidas e desse sentimento. Mais ainda, devemos substituir todos os nossos medos por encorajamento.

Luciandra Pinheiro Cabral é Psicanalista com especialização em psicoterapia infantil pelo Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem (CPPL) em Recife.

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