Greve dos Correios: “Somos os primos pobres das empresas federais”, diz sindicalista

Em entrevista ao Palavra de Mulher desta terça-feira (13), o diretor regional do Sincotelba – Sindicatos dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos, Márcio Góes, informou que cinquenta por cento dos funcionários dos Correios em Juazeiro aderiram, por tempo indeterminado, a greve nacional deflagrada em 22 estados e no Distrito Federal.

Segundo o sindicalista, um dos motivos da paralisação foi a alteração nas regras do plano de saúde dos trabalhadores dos Correios, que por decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), autoriza a cobrança de mensalidade dos funcionários e de seus dependentes. O valor da mensalidade passará a ser estipulado de acordo com a renda do trabalhador. Pelas regras anteriores à decisão, os Correios bancavam mais de 90% do custo do plano de saúde. Agora, a estimativa é de que 30% do custo do plano seja pago pelos servidores e 70% pelos Correios.

Márcio Góes também afirmou que outro ponto que motivou a paralisação foi a política de demissão motivada, prevista na reforma trabalhista e que não considera a função social dos Correios, promovendo o fechamento das agências de cidades menores.

” O capital não tem interesse nas agências de cidades de menor porte, que podem não gerar lucro, mas desempenham uma importante função social”, afirmou.

Ainda de acordo com Márcio Góes, a intenção do governo é fazer o desmonte da estatal, precarizando o serviço e colocando a população contra o serviço, para justificar uma possível privatização.

” Existe um déficit de funcionários, que já é antigo. Em Juazeiro, por exemplo, quase a metade da cidade não conta mais com o serviço dos Correios. Esse é um dado grave! Não existe um efetivo suficiente e isso é proposital. O último  concurso público foi realizado em 2011. A política é a de contratação de mão de obra temporária, o que precariza o serviço e gera um desgaste na imagem da empresa centenária, de mais de 350 anos, colocando a população contra o serviço. O sentimento da população é de que o serviço não funciona, não presta, como o objetivo de justificar sua privatização”, declarou.

O sindicalista também informou que ” a estatal brasileira é considerada a segunda melhor do mundo”.

” Os Correios no Brasil tem a melhor logística do mundo e é referência para outros países. O rendimento anual da empresa é de 20 bilhões e o lance inicial anunciado para uma possível venda foi de 5 bilhões”, disse Márcio.

Ainda assim, ele concluiu, lamentando ” Somos os primos pobres das empresas federais. Para se ter um ideia, o salário inicial de quem presta concurso publico para os Correios é de mil e trezentos reais”, revelou.

A paralisação atinge tanto os setores de atendimento quanto o de distribuição.

Em Juazeiro, a paralisação agrava ainda mais a qualidade do serviço prestado pela empresa, que já é alvo de muitas reclamações.

Da Redação

 

 

 

 

 

 

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