O espantalho comunista, por Roberto Malvezzi (Gogó)

Foto: Pascom/Arquidiocese de Salvador

Uma onda de ataques à CNBB, ao Papa Francisco, retoma o velho espantalho do comunismo. Tão agressivos quanto ridículos, não mereceriam muita consideração se não causassem certos estragos nas pessoas mais simples. Desconfio também que muitos cardeais, bispos e padres se escondam por detrás dessas declarações. Pelo menos um desses padres ostensivamente contra a CNBB e Francisco, prega retiros para seminaristas, faz formação do clero em certas dioceses e nunca vi nenhuma dessas autoridades se posicionarem contra suas atitudes.

No mundo de hoje, que eu saiba, apenas dois países se declaram comunistas, isto é, Cuba e Coréia do Norte. Nem a China, governada por um partido que se diz comunista, mas que desenvolve um capitalismo agressivo e predador na realidade, é questionada por seus parceiros econômicos, inclusive os Estados Unidos.

Então, de onde vem essa onda que alcança o imaginário popular e sempre desperta nas pessoas medos e até pânico?

O primeiro motivo vem pela história do combate ao comunismo, do qual a Igreja Católica sempre fez parte. Segundo, porque é conveniente ao mundo do capitalismo predador dos tempos atuais manter esse espantalho nas praças midiáticas. Francisco já declarou que o “capitalismo mata” e isso não agrada à burguesia católica.

Uma coisa é certa, Deus não é capitalista. Se fosse, teria criado mundos privados para que cada um vivesse no seu mundo. Entretanto, os bens essenciais à vida, como terra, água, ar e luz são de todos, embora alguns já privatizem a terra, a água e agora o ar e o sol pela captação da energia eólica e solar.

Não é da vontade de Deus que apenas oito pessoas detenham a riqueza de 3 bilhões de humanos na face da Terra, ou que cinco brasileiros detenham a riqueza de 100 milhões de brasileiros, ou que 9 milhões de brasileiros tenham voltado à miséria depois do golpe. Se algum cristão, incluindo os católicos, se esquecem dessa realidade, basta ler o capítulo 25 de São Mateus. Ali está bem claro o que Ele pensa.

Mais grave ainda, muita gente quer ir para o céu e vive preocupado por sua salvação eterna. É bom lembrar que no Reino de Deus não há propriedade privada – origem das classes sociais -, não haverá autoridades e nem instituições para mediar as relações, mas todos estaremos em pé de “igualdade” como irmãos diante do único Deus. E como diz a bíblia, “os pobres possuirão a Terra”.

Portanto, quem acha que vai ter cargos especiais e propriedade privada até na eternidade, no mínimo vai ter que passar pelo purgatório para aprender a ser gente. Se não quiser, já sabe qual o destino eterno que lhe aguarda.

2 Comentários

  • MARIANA ALVES. disse:

    GOSTO MUITO DOS DESTES DESSE ATIVISTA. PELO MENOS, UMA VOZ QUE GRITA PERANTE ABSURDO REACIONÁRIOS TÃO EM VOGA EM JUAZEIRO E BRASIL TAMBÉM, SENTINDO FALTA NO BLOG, DOS ARTIGOS DO PROFESSOR OTONIEL GONDIM. SUMIU. UM BOM DIA A TODOS. PARABÉNS, ROBERTO MALVEZZI.

  • Italo Castro disse:

    O foco em primeiro lugar é a transparência para com os católicos sobre o destino da CF para ONGs que são contraria ao Catecismo da Igreja Católica. E em segundo que fique claro a CNBB tem de responder às questões que foram levantadas, não porque nós estamos exigindo como se fôssemos os únicos salvadores da Igreja e paladinos da verdade, mas justamente porque são fatos alarmantes e nada mais; fatos atrás de fatos. Apontem os fatos. Sempre os fatos. Fatos que, segundo alguns advogados e contadores, seriam até passíveis de investigação pelo Ministério Público e Polícia Federal. Isso, porém, carece uma análise mais cuidadosa. Afinal a CF deste ano vem com o tema sobre a Violência e corrupçao é uma das grandes violências que destrói o nosso país. Ressaltando que os fatos precisão ser apurados com justiça e transparência. Bernardo Pires Kuste

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.