“Crianças que brincam são mais saudáveis?”, por Luciandra Pinheiro

(foto: arquivo pessoal)

Crianças que brincam são mais saudáveis? – A importância do brincar para a construção da realidade

De acordo com vários estudos realizados, o ato de brincar está ligado diretamente ao processo de evolução humana. Como uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento infantil, tem se tornado indispensável à saúde física, emocional e intelectual. Uma característica da infância que pertence a um conjunto de atividades praticadas desde os tempos mais remotos.

Segundo a psicoterapeuta Susan Linn em seu livro Em Defesa do Faz de Conta, a criança explora o seu desenvolvimento intelectual e é a forma como ela aprende a aprender. O brincar faz parte da linguagem infantil, criando um vínculo entre a imitação do real e o conteúdo imaginário. Na brincadeira, os gestos, objetos e espaços têm valores e significados particulares. É dessa forma que a criança representa e reconstrói os acontecimentos vivenciados por ela, dando-lhe a oportunidade de experenciar situações do seu cotidiano.

Nas últimas décadas, o público infantil tem se tornado um dos mercados mais visados na sociedade de consumo contemporânea e enquanto consumidoras, as crianças mergulham no universo da tecnologia, da indústria televisiva e das peças publicitárias. A infância está cada vez mais distante do universo do “faz de conta” que promove acima de tudo a invenção de coisas, tão importante para a construção da fantasia.

Através da brincadeira a criança tem oportunidade de simular situações da sua vida familiar e social, o que permite expressar suas emoções e encenar de forma segura seus medos, suas angústias e a agressividade, na tentativa de resolver seus conflitos internos. E a criança sempre brinca. Podemos observar isso frequentemente: enquanto come, enquanto realiza atividades de higiene ou até mesmo na hora de dormir. O lúdico é o elo entre as realidades interna e externa.

Os pais têm papel fundamental no que diz respeito aos espaços e à seleção dos brinquedos a serem explorados, proporcionando um ambiente de qualidade e enriquecedor da imaginação infantil. Importante lembrar que enriquecedor não significa brinquedo caro ou multifuncional, mas aquele que permite explorar as linguagens corporal, gestual e de interação criativa.

A principal função do brincar é proporcionar a transformação da passividade em atividade, transferindo a experiência desagradável para a brincadeira, reproduzindo ou modificando a situação, elaborando-a na mente. Freud coloca que todas as brincadeiras infantis são influenciadas por um desejo que domina a criança o tempo todo: o desejo de crescer!

O momento de brincar é onde tudo pode acontecer. A criança tem a permissão para imaginar ser quem ela não é. Pode estar em lugares e até planetas jamais visitados, pode satisfazer seus desejos, viver o inesperado e divertir-se, claro! Desta forma, a brincadeira torna-se um cenário imaginário sem censura, tudo tem vida, tem fala e tem vontade própria. É nesse contexto que ela coloca seu corpo em cena, representa papeis e vive personagens de todos os tipos: médico, bombeiro, professor, pai, mãe e outros tantos. Constrói representações e encena suas versões, a partir de suas experiências. O brincar passou a ser compreendido não mais como um simples ato de diversão da infância. Tornou-se atividade importante pelo papel estruturante na constituição psíquica do sujeito.

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