“1968 é hoje!”: Acontece nesta quinta (24) Roda de Conversa sobre os 50 Anos do Subversivo “Maio de 68

 

Acontece hoje (24) às 19 horas no Centro de Cultura João Gilberto uma roda de conversa sobre o tema  “1968 é Hoje!”, uma realização do Programa Contro-Verso, experimento de programa de TV da TV UNEB – Núcleo Juazeiro, liderado pelo professor Josemar Martins Pinzoh, e feito em parceria com o Centro de Cultura.

Será no formato de um debate filmado, com a participação de pessoas que estavam na faixa dos 20 anos em 1968, pessoas que em 2018 estão na faixa dos 20 anos, e pessoas de idade intermediária, como as professoras Elisabet Moreira e Odomaria Bandeira, o escritor Lupeu Lacerda e os artistas Euri Mania e Andrezza Santos.

Na programação também haverá poesia e música. A entrada é franca.

“No geral, a era das tecnologias digitais de comunicação, persuasivas e ubíquas, criaram uma geração que não tira os olhos e dedos da tela, e tão rápido recebe e repasse que pensa que o mundo está começando agora. Isso tudo justifica a nossa intenção e a necessidade de discutir Maio de 1968, 50 anos depois, para saber se podemos pelo menos tomá-lo como lição. Todxs estão convidados para entrar nesta roda de conversa”, convidou o professor Josemar Pinzoh

“1968, o ano que não terminou”

Assim se expressa o título do livro de Zuenir Ventura, lançado em 1988, que este ano sai em nova edição comemorativa dos 50 anos daquele maio de 68 e dos 30 anos da primeira edição do livro. O livro é um clássico da não ficção nacional que já vendeu mais de 300 mil exemplares. O autor conta nele como transcorreu no Brasil o ano que, através do mundo, iria se tornar lendário por conta de manifestações estudantis, de jovens e trabalhadores, contra o sistema.

No Brasil, o drama de 1968 começou com dois meses de antecedência, mais precisamente em 28 de março, quando a PM invadiu o restaurante estudantil Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, e matou Edson Luis Lima Souto, de 18 anos, com um tiro à queima-roupa no peito. A reação da sociedade civil à truculência da ditadura militar, no enterro acompanhado por 50 mil pessoas e na famosa Passeata dos Cem Mil, realizada em junho, estabeleceu a rota de colisão que culminaria com a decretação do nefasto Ato Institucional nº 5, o AI-5, no dia 13 de dezembro daquele ano que pegou fogo no mundo inteiro, tanto em sentido literal quanto figurado. No Brasil, a partir do AI-5, de 68, não haveria mais a “encenação de democracia” que vigorara desde o golpe de 1964. O governo do general Arthur da Costa e Silva deteria nas mãos todos os poderes e não se furtaria a usá-los, fosse cassando, exilando, prendendo ou até matando de forma clandestina. Somente 20 anos depois, em 1988, restabeleceríamos, com muitas marcas no corpo, a democracia no Brasil – que agora vem sendo novamente ameaçada.

No mundo, os reboliços de maio se iniciam na França governada pelo general De Gaulle, com estudantes aos quais se juntariam depois os operários, numa espécie de greve geral. Na Tchecoslováquia, as manifestações de jovens que queriam “um socialismo mais humano”, que ficaram conhecidas como “a primavera de Praga”, enfrentavam os soldados soviéticos e por eles foram esmagadas. No Japão e na China comunista também houve manifestações, igualmente reprimidas brutalmente por militares. Nos Estados Unidos, o movimento hippie que se opunha à Guerra do Vietnã, preferindo sexo, drogas e rock and roll à estética da guerra, se encontra com as lutas dos direitos civis, lideradas por Martin Luther King, e com o movimento Black Power. Para estudiosos como Edgar Morin, esses foram os acontecimentos mais importantes do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial. E ele mesmo dizia: “vamos precisar de anos e anos para entender o que se passou”.

Em 2817, o documentarista, roteirista e produtor do cinema brasileiro, João Moreira Salles, lançou o documentário No Intenso Agora, que justapõe, através de imagens de arquivo, uma série de acontecimentos diferentes da década de 1960, em vários lugares do mundo, como a revolta estudantil em Paris, a Primavera de Praga em meio à dominação Soviética, e a China de 1966 sob o regime de Mao, experienciado pela mãe do diretor na época.

Pois bem, os anos se passaram e, 50 anos depois, o mundo vive, ao contrário de 1968, uma onda conservadora, especialmente no Brasil, onde as ruas que ajudaram a derrubar um governo legitimamente eleito, agora silenciaram e se voltaram para suas pautas conservadoras, para a moralização da arte e do trabalho docente, com exceção de uma parcela de “filhos tardios de 1968”, que ainda querem ampliar as fronteiras da liberdade, da igualdade, da fraternidade, do socialismo humanizado e de uma ética não violenta, com os seres humanos, os animais e os vegetais. No geral, a era das tecnologias digitais de comunicação, persuasivas e ubíquas, criaram uma geração que não tira os olhos e dedos da tela, e tão rápido recebe e repasse que pensa que o mundo está começando agora. Isso tudo justifica a necessidade de discutir Maio de 1968, 50 anos depois, para saber se podemos pelo menos tomá-lo como lição.

Da Redação com informações da organização do evento

 

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