“Não me venha feito otário com intervenção militar”, poetisa Maviael Melo

(foto: arquivo pessoal)

Pessoa que pede um beijo
Pede um mote ou um real
De ressaca tando mal
Pra morrer é seu desejo
Pede um gole de sobejo
Se a seca lhe apertar
Pede um bis pra se cantar
Uma música de novo
Só não peça pro meu povo
Intervenção militar

Guarde a sua teoria
Pegue um livro de história
No caminho da memória
Onde a palavra se ouvia
Quando a censura dizia
A quem iria falar
Peça licença ao pensar
Mas nem tudo é pensamento
Só não peça pro momento
Intervenção Militar

Se quiser intervenção
Faça uma literária
Na palavra libertária
Por cada opinião
Peça um verso cidadão
Pelo direito de usar
Peça pra o homem mudar
Seu sentido em coletivo
Nenhum pensamento é vivo
Em ditadura militar

Peça uma pouco de verdade
Procure bem nas ações
Não volte pelos porões
Nem rogue a iniqüidade
Peça luz por caridade
Não deixe a banda passar
Não é tempo de calar
É muito pelo contrário
Não me venha feito otário
Com intervenção militar

Peça por fim o argumento
Que possa lhe dissolver
Reze pra voltar a ver
Para enxergar o tormento
E não venha no lamento
Sua panela pegar
Nem tente se disfarçar
Com vergonha arrependido
Pois em nada faz sentido
Uma intervenção militar

Peça pra entender um pouco
Se aquela aula perdeu
Só você não percebeu
Ou se disfarça de louco
Gritou até ficar rouco
Feito pato a resmungar
Alienado no ar
Fez da vida uma novela
Alimentando a panela
Da intervenção militar

Maviael Melo, poeta, cantor, cantador, compositor

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