“Sempre Aos Domingos”, por Sibelle Fonseca: Será que a gente dura até a Copa?

 

 

Num destes meses de março, anteriores a Copa do Mundo, uma pessoa que estava bem dentro da minha vida, estranhou uma pergunta que fiz. “Será que estaremos juntos na Copa?”, indaguei. Ao que ouvi, do meu interlocutor muito magoado, outra pergunta e uma afirmação: ” Como assim? Então tem prazo de validade? Para mim é pra vida toda”, repreendeu-me o moço sonhador, julgando-me demasiadamente negligente com os relacionamentos.

Fiquei comovida, com sua ingenuidade e intrigada com sua inconsequência. Seus 43 deveriam ter sido mais produtivos. Não aprendeu meu querido sobre a efemeridade da vida. Eu, um tanto mais atenta e pragmática, as vezes, tive dó daquele coitado apaixonado que não sabia o que estava dizendo. Sem jamais ter sido leviano, ele foi imprudente. Acreditou nas juras que fez e nas que ouviu, sem se importar muito com a realidade das coisas, sem considerar as fases da vida, que a nada dá garantia.

Pois bem, três meses depois daquela conversa íntima que virou uma DR onde eu era a escorregadia que não fazia planos nem de amor e nem de nada, já nem sei por ele anda. A Copa 2018 chegou e hoje, pós quase 90 dias daquela conversa tudo mudou pra mim, pra ele e pra todas as pessoas. Ainda bem que tudo muda e o mundo continua. O jogo não pára. A Copa veio e outras virão.

Aí, nesta estreia da Seleção Brasileira de hoje, assistindo ao jogo com minha mãe e com minha irmã, pus-me a pensar na Copa que vem. E, novamente na efemeridade da vida. Será que estaremos juntas na próxima?

Bem, isso nem eu e nem ninguém saberemos responder.

A mim só cabe mesmo é viver intensamente cada momento, cada fase, cada pessoa. Dando o meu melhor. Jogada no instante que não tem volta e acaba dando a volta para outros instantes que virão.

Eu estava inteira naquele março e hoje estive inteira com minha mãe, com minha irmã. Sempre com a mais pura convicção de que esses momentos passam. Todo momento passa. O que fica é só a verdade com que foram vividos.

Apois, concluo esse texto falando sobre a inteireza das coisas, da vida … A inteireza se sobrepõe a efemeridade. Se não sabemos do amanhã, vamos viver o agora. Se já sabemos que sofreremos a falta de uma pessoa depois, vamos abraçá-la agora. Se temos o agora para fazer as coisas, pra que perder tempo pensando em fazê-las no incerto depois? Se o jogo está acontecendo agora, pra que ficar pensando no 7 a 1 ou na vitória final?

Vê lá, meus amores! Se tudo o que vivemos for de verdade, vale a pena e isso é o que conta no placar final!

Passou um filme pela minha cabeça neste domingo de Copa. Pensei na Copa anterior, na pessoa pré Copa que esteve comigo outro dia, na Copa que virá e também nas Copas que virão.

Quero estar inteira nas vindouras, como fui com nas que passaram. Inteira no jogo da vida. Fazendo gols, tomando gols, atacando, acolhendo defendendo, subindo no pódium ou correndo de gandula  …

A vida é mesmo uma roda, um jogo, um mudar de estações, não sei. A vida talvez seja uma Copa. Um abrir e fechar de ciclos, de olhos, de campeões e derrotados.

De quatro em quatro segundos, de quatro em quatro minutos , de quatro em quatro horas, dias, semanas, meses, anos ou séculos … tudo muda e tudo mudará.

” Tudo pode acontecer, inclusive nada”.

Vivamos, então! Inteiros, por favor!

PS: Viva bem inteiro cada instante desta Copa

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.

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