Em defesa da tradição: espadeiros realizam Guerra de Espadas e sofrem repressão policial em Senhor do Bonfim

(foto: Juliano Figueredo)

“uh, é tradição! uh, é tradição”, “polícia é pra ladrão, não é pra espadeiro não”, “viva a guerra de espadas”. Com esses gritos de guerra, espadeiros e curiosos estiveram reunidos entre as ruas Costa Pinto e Antônio Vicente, no centro de Senhor do Bonfim, em defesa da Guerra de Espadas, evento tradicional que acontece há mais de 60 anos durante o São João da cidade. O grupo enfrentou repressão de Policiais Militares, que entraram em confronto usando spray de pimenta, contra os resistentes defensores da manifestação cultural.

Mesmo cercados por diversas viaturas de equipes da Polícia Militar, os espadeiros não acataram a decisão do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que desde 2017 recomenda a proibição do evento na cidade. Policiais tentaram dispersar os participantes usando spray de pimenta, mas o grupo resistiu e em defesa da tradição, realizou a Guerra de Espadas.

“Não tem nenhum criminoso aqui”, gritou um manifestantes revoltado com a atitude dos PMs.

“Tem que respeitar nossa cultura. A maioria do povo de Bonfim é a favor. Temos que lutar mesmo, porque não é justo. Viva a Guerra de Espadas, viva a tradição”, disse Antônio, espadeiro há mais de 10 anos.

Pouco tempo depois de confrontar os manifestantes, as equipes deixaram o local e os espadeiros continuaram a brincadeira.

(foto e vídeo: Thiago Santos/Preto no Branco)

Entenda o caso

O documento, assinado pelas promotoras de justiça Daniele Cordeiro, Ítala Carvalho e Joseane Nunes, justifica a decisão com base em abaixo-assinados apresentados na promotoria regional dando conta de diversos danos causados pela ocorrência da guerra, que compreende um bairro de área residencial/comercial, além de um decreto estadual que autoriza a apreensão de bombas com mais de 8g de pólvora ou material explosivo.

Segundo o MP-BA, o emprego de artefatos explosivos confeccionados sem autorização legal é crime previsto no art.16, incisos III e V, da Lei Federal nº 10.826/2003 e com pena de reclusão de três a seis anos e multa.

Ainda conforme o órgão, quem for pego participando da “brincadeira” pode ser preso em flagrante e responder pelo crime previsto na lei de combate à posse e comercialização de armas de fogo e munição. A pena é de três a seis anos de prisão, além de pagamento de multa. A determinação foi acatada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Na recomendação deste ano, o MP-BA afirmou ainda que a polícia local pode ser chamada para intervir, e informou que quem for pego participando pode ser preso em flagrante e responder pelo crime previsto na lei de combate a posse e comercialização de armas de fogo e munição.

Em junho do ano passado, a guerra de espadas foi declarada como Patrimônio Cultural e Imaterial da cidade quando a prefeitura sancionou um projeto de lei sobre a prática. A proposta já havia sido aprovada por unanimidade, no final de maio do mesmo ano, pela Câmara de Vereadores da cidade.

Da Redação

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