Acidente com a professora Kelly Cristina não foi o único durante Festa do Vaqueiro de Curaçá; Polícia Civil já está investigando o caso

No último dia domingo, 8 de julho, a professora Kelly Cristine Souza Gomes Reis morreu após ser atropelada por um homem em um cavalo no município de Curaçá, na região norte da Bahia, durante a realização da 65ª edição da tradicional Festa de Vaqueiro. Kelly Cristine estava saindo de um restaurante, quando foi atingida pelo animal que vinha em alta velocidade, segundo uma prima que estava com a professora no momento da tragédia. Ao cair no chão, Kelly bateu com a cabeça no calçamento, o que provocou traumatismo craniano, vindo a óbito.

A morte de Kelly gerou revolta e levantou questionamentos e reflexões em torno da segurança da festa, como a de Igor Reis, primo da vítima, usou as redes sociais para desabafar. Em uma publicação intitulada “A professora Kelly Cristine foi morta por um cavalo?”, Igor diz que Kelly foi morta “por um irresponsável que estava bêbado em cima de um cavalo (animal irracional) que o controlando fez com que o animal a atropelasse”.  leia o texto na íntegra.

Outros internautas também usaram as redes sociais para fazeram diversos questionamentos: “Deveriam ter mais controle com esses cavalos“, disse uma leitora. “Essa movimentação desses cavalos em meio a tantas pessoas, é preciso que seja analisado uma forma de separação, pois onde existem tanta movimentação de pessoas não deveria transitar tantos animais e muitas vezes guiados por pessoas irresponsáveis e até mesmo embriagados“, frisou outra. “Estive na festa e a organização precisa estudar um meio de evitar cavalos junto ao público“, sugeriu outra internauta.

O Preto no Branco apurou e descobriu que o caso de Kelly não é isolado. Em anos anteriores houve pelo menos outros dois casos de mortes durante a realização da tradicional festa. Ambos ocorreram em situações em que os vaqueiros montados em seus cavalos dividiam o espaço com as pessoas que transitam pelas ruas da cidade.

Há 10 anos, no dia 5 de julho de 2008, Wilson José Ferreira, mais conhecido como “Seu Fefedo”, passeava pelas ruas de Curaçá a cavalo quando um motoqueiro, em alta velocidade, colidiu com o cavalo. Segundo Josenilda Bahia, filha da vítima, com o impacto, “Seu Fefedo” caiu no chão e bateu a cabeça. Diagnosticado com traumatismo craniano, ele foi internando no Hospital Municipal, mas morreu dois dias depois do acidente.

“Ainda é difícil para a gente. Fez 10 anos agora e passa toda a retrospectiva daquele dia. Quando aconteceu com ela (Kelly), vivenciei tudo novamente. A festa acabou para mim no momento em que fiquei sabendo”, relatou Josenilda.

Em contato com o curaçaense Zé Omara, fomos informados que outras mortes já aconteceram na cidade durante a Festa do Vaqueiro. Segundo ele, anos atrás, na área onde acontecia a Corrida de Prado, um homem conhecido como “Seu Manoel Sapateiro” morreu após a colisão de um cavalo. “Tinha muita gente assistindo a corrida de cavalos e ele se aproximou para ver a distância que o cavalo que liderava já vinha e foi surpreendido pelo animal. Ele estava por trás das cordas de segurança”, relatou.

Ainda segundo Zé Omara, outros dois casos chamaram atenção dos populares. Em um, o vaqueiro veio a óbito após bater com a cabeça no chão depois que um motoqueiro assustou o cavalo em que a vítima estava, e em outro, o homem empinou o cavalo, acabou caindo e batendo com a cabeça, também vindo a óbito.

Polícia Civil investiga morte da professora Kelly Cristine

Nossa reportagem entrou em contato com o delegado de Curaçá, Barcos Zaíra, que nos informou sobre as providências que a polícia adotou, após o atropelamento da professora.

Segundo o delegado, até o momento a família de Kelly não procurou a polícia para registrar o fato. No entanto, o próprio delegado abriu o inquérito e já iniciou as investigações.

“Nós, da Polícia Civil, já estamos investigando este caso. Colhemos informações no hospital e nesta sexta-feira (13), iniciamos as outivas. Tem muita informação falsa circulando nas redes sociais, mas nós não trabalhamos mediante especulações. Nosso trabalho é científico e assim que for concluído divulgaremos o resultado. Aproveitamos para pedir a família que faça contato com a delegacia, pois necessitamos de mais informações”.

Barcos Zaíra, também solicitou, através de nossa reportagem, que a prima da vítima procurasse a delegacia para prestar depoimento, o que irá contribuir com as investigações. Ele também informou seu desligamento da delegacia de Curaçá, que já tem outra delegada titular.

“Nós iniciamos as investigações, mas a partir de segunda-feira (16) a delegada Tereza Jucélia, que já foi nomeada e tomou posse como titular de Curaçá, irá conduzir as investigações e comandará o inquérito”, concluiu o delegado Barcos Zaíra.

 

Da Redação

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