“Sobre arte, re-significação e Juazeiranidade”, por Dandara Almeida

Já depois de véia (ahahaha) vim entender porque  sempre gostei tanto de impressos, camisa, silk, feiras, arte, design…
Lá atrás, painho já fazia tudo isso dentro de casa e eu, até quando dentro da barriga de Luluzinha, já participava de feiras pelas praças de Juazeiro, vendendo poesia e arte, nessa cidade que pulsa cultura – vide foto anexo.

Como disse Sibelle Fonseca essa semana em seu programa, “Em cada família de Juazeiro tem um artista”. E é a melhor definição dessa cidade. Melhor exemplo é ter tantos incríveis nomes da produção nacional tais como João Gilberto (o maior <3), Ivete Sangalo (que além de ser a maior artista brasileira, tem toda irreverência e jeitão Juazeiro de ser. Tem toda Juazeiranidade, como diria Fatel – nova geração de artistas da cidade), Galvão (grande poeta do Novos e Eternos Baianos), Daniel Alves e Petros (futebol-arte?)) e Manuca Almeida (!).

Sim, cito ele não somente por ser meu pai, mas por cada dia mais entender o seu papel e importância na cultura popular brasileira e Juazeirense.

Painho instigava! Era irreverente, provocava, produzia e questionava. Ele tinha Juazeiranidade! Painho era apressado – como quem já sabia que partiria aos 53 anos -, painho era a-go-ni-aaaaado, inquieto.

Essa semana contamos 8 meses da sua ausência aqui nesse plano, e de lá pra cá a gente não parou. Assim, como ele nunca parava.

Fizemos exposição – na cara, coragem e raça -, fizemos evento no Quintal do Poeta – sim, aquele quintal de sua casa, palco de grandes nomes que ele trazia para se apresentar em Juazeiro, mais uma vez na cara e coragem -, já dei palestra e Workshop na universidade sobre sua Poesia Visual – e com tudo isso temos levado a poesia dele e o trabalho que ele deixou pronto e nos “treinou” para seguir de forma leve e cheia de amor.

E parafraseando ele mesmo “Só o amor sendo maior que o amor que já existe pra conseguirmos isso tudo” rss.
A gente ri, a gente chora, mas a gente tem feito com verdade e VONTADE.

Ontem, dia 14, primeiro dia da Feira FACA – que Feira promissora, Juazeiro. Olhem pra ela! Visitem! Incentivem os produtores locais! Comprem de quem faz! – e lá estávamos nós. Eu, mainha, Bem e Fefê, no mesmo salão que há exatos 8 meses velávamos o corpo dele.

Há menos de 2 metros de onde o seu caixão ficou. E você me pergunta: como conseguem? o que sente? e eu respondo: Com um orgulho da PORRA.

No Centro de Cultura João Gilberto – na Rua José Petitinga, no Bairro Santo Antonio – entendedores entenderão.

Eita painho, tomara que daí do canto que você vive agora tenha visto o que foi aquilo. Que honra, que merecimento e que despedida LINDA.

O Centro de Cultura João Gilberto é nosso espaço, nosso canto, nosso teatro, nossa cidade.

Hoje, no segundo dia da Feira convido todos vocês a visitarem. Conhecerem a nossa produção, nossos artistas, a re-significar o lugar e a arte.

A arte tem que ser vista, valorizada, criticada, mas também tem que ser nosso motor, nosso sustento.

E aí volto a meu querido pai Manuquinha, que por muitas vezes foi chamado de mercenário – dou muita risada quando falo disso – mas que viveu essa vida poética da sua poesia, e claro, nos criou dela, com ela, por ela.

Aí você agora entende como a gente consegue viver tudo isso com esse amor?
Mais desenhado impossível 

Simbora, Juazeiro! Simbora, Manuca Almeida 

Juazeiro, 15.07, 140 anos. Parabéns, minha – nossa – cidade 

Dandara Almeida, filha de Manuca Almeida

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.