Mais um ataque: Ato pró-Bolsonaro em Recife compara mulheres de esquerda a cadelas

Mais uma do pessoal de Bolsonaro, que não se cansa de passar vergonha e atacar as mulheres. Desta vez, foi durante uma passeata em apoio ao presidenciável do PSL que aconteceu ontem (23) na zona sul de Recife (PE).

Vestidos com as cores da seleção brasileira, os manifestantes carregavam bandeiras do Brasil e entoavam músicas com letras chulas, agressivas e nada inteligentes, característica de uma campanha baseada no ódio e na ignorância. “Em nome da família brasileira e de Deus”, parodiando o funk “Baile de Favela”, um trecho da letra dizia alto e bom som:  “Dou para CUT pão com mortadela e para as feministas, ração na tigela. As minas de direita são as top mais belas enquanto as de esquerda têm mais pelos que as cadelas”.

Veja o vídeo:

Tocada no trio elétrico e acompanhada pelos manifestantes, a “música”também fazia ataques a políticos de esquerda como Jean Wyllys, Maria do Rosário e Luciana Genro. Veja a”pérola”: “Bolsonaro salta de paraquedas. Bolsonaro, capitão da reserva. E o Bolsonaro casou com a Cinderela, enquanto o Jean Wyllys só tava vendo novela”, dizia outra passagem.

No ano passado, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais à deputada Maria do Rosário (PT-RS), após ter dito que não estupraria a deputada porque ela “não merecia”.

Sem poder participar da campanha, após a facada que tomou no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Bolsonaro está representado nas ruas e nas redes sociais por apoiadores igualmente raivosos, que reforçam discursos de ódio, apologia à violência e mais notadamente de misoginia, que é a repulsa, o desprezo ou ódio contra as mulheres. Uma aversão mórbida e patológica ao sexo feminino, que está diretamente relacionada com a violência que é praticada contra a mulher.

Etimologicamente, a palavra “misoginia” surgiu a partir do grego misogynia​, ou seja, a união das partículas miseó, que significa “ódio”, e gyné, que se traduz para “mulher”. Quem pratica a misoginia é considerado misógino. O antônimo de misoginia é conhecido por filoginia, que é o amor, afeto, apreço e respeito pelo sexo feminino.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) se tornou conhecido em todo o Brasil e no mundo pelas declarações polêmicas em torno de temas delicados, como a homossexualidade, o racismo e as ditaduras no Brasil e em países de América Latina.

Com 28 anos de atuação na política brasileira, o parlamentar coleciona um série de frases polêmicas, preconceituosas e agressivas, uma contradição para quem se autoproclama um cristão atuante.

Bolsonaro já afirmou que “Mulher deve ganhar salário menor porque engravida” (Bolsonaro justificou a frase: “quando ela voltar [da licença-maternidade], vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”).

“Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. “Não te estupro porque você não merece” (Jair Messias Bolsonaro, para a deputada federal Maria do Rosário).

“Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados” (Bolsonaro para Preta Gil, sobre o que faria se seus filhos se relacionassem com uma mulher negra ou com homossexuais).

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.  (Jair Bolsonaro em entrevista sobre homossexualidade na revista Playboy)

“O erro da ditadura foi torturar e não matar” (Jair Bolsonaro, em discussão com manifestantes)

Entre outras já conhecidas e divulgadas na mídia, que alimentam a ideia da desvalorização e preconceito contra, principalmente as mulheres, Lgbts e negros.

O vice de Bolsonaro, o General Mourão, que assumiu a frente da campanha, segue a mesma linha e na última terça-feira (18), chegou a dizer que “lares apenas com mãe e avó são fabricas de elementos desajustados. Segundo ele, a frase era uma “constatação” do que ocorre nas comunidade carentes e não uma crítica às mulheres. Foi durante uma palestra na Associação Comercial de São Paulo, quando o militar da reserva afirmou que crianças são cooptadas pelo tráfico quando, por falta de creche e escola integral, são deixadas em casa pelas mães e avós que saem para trabalhar.

Postura lamentável para postulantes ao comando do governo brasileiro. Um retrocesso. Um vexame político dos mais vergonhosos.

Da Redação por Sibelle Fonseca

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