“Como falar de política e corrupção com as crianças?”, por Camila Cury

 

Em ano de eleição e com a efervescência política que o Brasil vive, com impeachment de presidente, escândalos de corrupção, prisões de políticos, é inevitável que as crianças sintam curiosidade em saber um pouco mais sobre o que é a política e o que significa essa “corrupção”, repetida tantas vezes em casa e no noticiário.

São os brasileiros com mais de 18 anos que têm a obrigação de se dirigir às urnas em outubro, conforme determina a Lei eleitoral, porém a participação dos pequenos na vida política é garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Mas de que maneira tratar do assunto em casa, sem disseminar o ódio partidário ou impor uma forma de pensar nas crianças?

Normalmente, crianças a partir de 7 ou 8 anos, já conseguem entender melhor o que é política e algumas já até se manifestam. Mas é preciso ter cuidado na hora de explicar ao seu filho, não precisa dar muitos detalhes e não só mostrar o lado negativo. Apenas faça com que ele entenda como funciona, de uma forma simples.

É evidente que as posições políticas da família sempre acabam, de alguma forma, influenciando as crianças. Ainda assim, é importante introduzir o assunto, de forma sucinta e aprofundar conforme eles vão demonstrando interesse.

Não é necessário explicar o que é impeachment e o que faz um Deputado Federal. Os pais podem falar aos filhos dando exemplos de atitudes erradas do dia a dia e os valores da honestidade, como furar uma fila, pegar objetos do colega, não pagar o lanche da escola. As crianças devem compreender que a falta de honestidade não ocorre apenas na política, mas está presente em atos cotidianos, praticados por pessoas de qualquer idade.

Para a discussão ser saudável é preciso sempre respeitar a opinião do outro. O uso de analogias é um recurso que pode ajudar, pois a realidade política fica mais próxima do que as crianças vivenciam.

É muito saudável que os pais falem diretamente da política com crianças. Mas, muito mais do que isso, os adultos precisam criar condições para se apresentarem como exemplo de uma conduta ética, apontando a importância daquilo que não se pode comprar com o dinheiro, como a família, a saúde e os amigos.

*Camila Cury é Psicóloga e Diretora Geral da Escola da Inteligência, Programa Educacional idealizado pelo renomado psiquiatra, escritor e pesquisador, Augusto Cury, que tem como objetivo desenvolver a educação socioemocional no ambiente escolar.

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