Violência: Transexual é espancada no RJ e jovem é marcada com suástica no RS por supostos apoiadores de Bolsonaro

Mais dois casos de violência, motivados, supostamente, por questões políticas, foram registrados no país. Uma transexual foi agredida por quatro homens na cidade de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, no último sábado (6). Já em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, uma jovem de 19 anos foi atacada por três homens e teve a barriga marcada com traços semelhantes a uma suástica – símbolo do nazismo – na última segunda-feira (8). Os casos somam-se à série de denúncias de agressões que teriam sido cometidas por apoiadores do presidenciável do PSL nos dias anteriores e posteriores à eleição. As informações são do Uol e do Terra.

(foto: reprodução)

Nova Iguaçu, 6 de outubro

Em depoimento ao UOL, a transexual Jullyana Barbosa disse que estava voltando para casa na manhã de sábado quando passou por uma passarela em cima da Dutra, rodovia que liga Rio de Janeiro a São Paulo, e começou a ser ofendida com gritos homofóbicos. “Antes de eu chegar na passarela, começaram a gritar ‘viado’, ‘lixo’, ‘tem que matar esse lixo’, ‘tomara que o Bolsonaro ganhe para matar esse lixo’. Aí começaram a falar de doença, ligado a AIDS, e acho que isso é pegar pesado então reagi: disse: ‘Fala na minha cara.’ Um dos caras pegou uma daquelas barras de ferro de segurar barraca e bateu na minha cabeça. Cai ao lado da Dutra. ‘Tontiei’ e estou cheio de marcas. Botei a mão no pescoço e vi que estava cheio de sangue”, contou.

Jullyana Barbosa disse que, de início, poucas pessoas a ajudaram e havia muitas pessoas em ônibus indo para o trabalho. “Enquanto isso, eu era executada como um bicho. Fiquei muito triste.”

“Esses escrotos usam essa coisa (do Bolsonaro). Estão usando isso para nos atacar. De repente, nem é eleitor dele, mas usam isso como desculpa. Estão falando como se fosse legal isso de agredir (transexual)”, observou.

Barbosa tomou 10 pontos na cabeça no posto médico. Conforme a publicação, ela não quis registrar o caso por vergonha. Mas, por incentivos de pessoas próximas e da Associação LGBT de Nova Iguaçu, foi registrar o caso na 56ª Delegacia de Polícia. Um exame de corpo de delito deve verificar as agressões. Fotos a mostram toda roxa e com marcas na cabeça.

(foto: reprodução)

Porto Alegre, 8 de outubro

Em Porto Alegre, uma mulher de 19 anos afirmou ter sido marcada na barriga por três agressores em represália por estar usando um  adesivo com a frase #Elenão, em referência ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A vítima, que não teve o nome revelado, relatou em depoimento que voltava do cursinho na segunda-feira à noite quando, após descer do ônibus, foi seguida por três homens. Segundo o delegado, ao verem a bandeira do arco-íris com a inscrição “Ele Não”, os agressores passaram a xingar a vítima com “palavras homofóbicas”. Ao responder, ela foi agredida com socos e foi segurada por dois deles, enquanto outro marcava o símbolo na barriga da vítima com um objeto perfuro-cortante.

Responsável pelo caso, delegado Paulo César Jardim, considerado especialista em neonazismo no Rio Grande do Sul, disse não reconhecer uma suástica no ferimento no corpo da vítima. “Eu não vi uma suástica. Ali o que tem um símbolo antigo, milenar, budista, que foi historicamente corrompido”, disse. Questionado pela imprensa se não seria contraditório um símbolo budista em uma agressão, o delegado voltou a negar. “Aí vamos partir do se, da adivinhação…”, disse.

Em razão do pedido da jovem de não querer a representação criminal, o delegado afirmou que a investigação está “temporariamente suspensa”.

“Foi um crime fundamentado na homofobia”, afirmou a advogada da jovem, Gabriela Souza. Segundo a defensora, a vítima não quer dar prosseguimento para uma representação criminal e fez o boletim de ocorrência “apenas ter uma segurança jurídica em função da publicação nas redes sociais”. O boletim de ocorrência foi registrado na terça-feira, dia seguinte ao fato. O delegado confirma a versão. “Eu, a advogada e ela não temos dúvida de que foi crime de homofobia”, disse Jardim.

Outros casos

6 de outubro – Uma mulher de 53 anos foi agredida durante uma carreata do PT na cidade paranaense de Maringá, neste sábado (6). Vera Lucia Pedroso Nogueira, filiada ao partido há mais de duas décadas e presidente do Sindaen (Sindicato dos Trabalhadores nas empresas de água, esgoto e saneamento de Maringá e região noroeste do Paraná), recebeu quatro pontos no dedo indicador e um no dedo mínimo em razão da confusão. O diretório do Partido dos Trabalhadores da cidade registrou Boletim de Ocorrência após o caso, confirmado pela Polícia Militar do Paraná.

Testemunhas relatam que o agressor chegou à carreata pilotando uma moto com adesivo de campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com informações da PM, a carreata já estava perto do fim quando um homem que não participava se aproximou dos militantes, arrancou bandeiras, agrediu pessoas e quebrou lanternas e vidros de carros. Vera Lucia em um dos veículos e foi atingida por estilhaços. (leia no Uol)

8 de outubro – O artista Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, conhecido como Moa do Catendê, foi morto com 12 facadas após uma discussão política. O crime ocorreu no Bar do João, no Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas, onde a vítima bebia com um irmão e um primo, por volta da meia-noite desta segunda-feira (8).

Ele foi preso por policiais militares e estava escondido no banheiro da casa dele, próximo ao local do crime. (leia na íntegra)

8 de outubro – A Irmã da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), Anielle Franco, relatou em sua rede social que foi agredida verbalmente por “homens devidamente uniformizados com a camisa” de Jair Bolsonaro. Anielle escreveu em seu perfil no Facebook que, na tarde desta segunda-feira (8), andava em uma rua do Rio de Janeiro com Mariah, sua filha de dois anos, quando foi abordada pelos rapazes aos gritos de “Bolsonaro”, “piranha” e “esquerda de merda”.

A irmã de Marielle conta ter sofrido ameaças de morte após reagir à quebra da placa em homenagem à vereadora: “Fiz uma postagem pública e pedi respeito. Choveram mensagens de ameaças. Mandei para o pessoal que cuida disso. A irmã de Marielle conta ter sofrido ameaças de morte após reagir à quebra da placa em homenagem à vereadora: “Fiz uma postagem pública e pedi respeito. Choveram mensagens de ameaças. Mandei para o pessoal que cuida disso. Uma foi esdrúxula: ‘Tem que amanhecer com a boca cheia de formiga'”. (leia no Uol)

9 de outubro – Um jovem universitário de 27 anos foi agredido a golpes de garrafa e chutes por supostos apoiadores do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), no início da noite da última terça-feira (9), nas proximidades da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), região central de Curitiba. Segundo informações do Diretório Central Estudantil (DCE) da instituição, na hora do ataque, o rapaz, da comunidade acadêmica, utilizava um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Apresentando ferimentos cobertos de sangue, a vítima foi levada ao Hospital Universitário Cajuru, em uma ambulância do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). (leia na íntegra)

Da Redação com Uol e Terra

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