Um professor e um grupo de mulheres são atacados em Petrolina por eleitores de Bolsonaro

No último domingo (28), logo após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, por volta das 19 horas, um professor do IF Sertão, que preferiu não ser identificado, foi agredido por um grupo de eleitores de Jair Bolsonaro, eleito presidente do Brasil. O fato aconteceu dentro do condomínio onde o professor reside, em Petrolina, enquanto ele fazia sua caminhada noturna.

“Eu voltava da caminhada que faço diariamente há mais de 6 anos aqui no condomínio onde moro. Um carro de um morador que defende o Bolsonaro, em que estavam outras pessoas, se aproximou de mim e um dos homens desceu do veículo e começou a gritar palavras de baixo calão, me agredindo verbalmente, sem eu que tivesse feito qualquer manifestação política”, contou o professor de 56 anos, filho de um militar do Exército.

Assustado com a situação, o professor se dirigiu para sua casa e o agressor, não satisfeito, tentou entrar na residência, ainda aos gritos e agressões verbais, segundo informou o professor ao PNB.

“Foi aí que eu consegui ir até a casa de um vizinho, que é delegado de polícia, e pedir ajuda no controle daquela situação constrangedora, pois o homem estava bastante exaltado. O agressor fugiu e a situação foi controlada.

O delegado recomendou que o professor prestasse queixa policial, mas o caso foi resolvido com a administração do condomínio em uma reunião que aconteceu na noite de segunda-feira (29).

“Nos reunimos eu, a síndica, a advogada do condomínio, o delegado, que foi bastante atencioso, e o agressor, que se retratou, dizendo-se arrependido do que fez. Foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta e eu o perdoei. Sou um adepto da paz e do entendimento e resolvi aceitar sua retratação. A situação foi extremamente constrangedora. Eu não fiz campanha para nenhum dos candidatos, apesar de me opor as ideias relacionadas a educação e a segurança do novo presidente. Sou professor do IF-Sertão há décadas, tenho uma conduta discreta e sou defensor da paz. Mesmo assim fui vítima de palavras de baixo calão, sem nenhum sentido”, concluiu o professor.

Na noite de domingo (28), também em Petrolina, um grupo de amigas que lanchava em uma hamburgueria foi atacado por eleitores de Bolsonaro que comemoravam a vitória.

“Dois caras começaram a dizer “piadas” homofóbicas e daí começou uma discussão. Eu conhecia os dois, pois estudamos juntos no ensino fundamental e consegui acalmar a situação, momentaneamente. Até abracei um deles para que os ânimos se acalmassem. Na hora funcionou, mas eles recomeçaram com as agressões, assim que estávamos deixando o local. Começou uma discussão generalizada e um dos rapazes me deu um murro e quando viu que o dono do local havia chamado a polícia me ameaçou dizendo que aquilo não acabaria ali e que ia me pegar depois, pois sabia onde eu morava”, relatou uma das vítimas da agressão, que é educadora física.

Ela também contou em um relato publicado nas redes sociais que foi prestada queixa policial. À redação do PNB a vítima disse estar bastante assustada com a agressão sofrida.

“Só quero paz! Só quero que isso passe, tanto para mim e minhas amigas, quanto para eles. Ninguém está bem com isso”, finalizou a mulher marcada por um inchaço na testa e hematomas no corpo.

Da Redação

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