“Sempre Aos Domingos”, por Sibelle Fonseca: Se for pra ser melhor, mude!

“Nunca diga não”, já escutei este conselho mil vezes e só agora, parece que comecei a ouvir. Sou dessas de dizer que não é não e pronto. Este tipo de gente que é oito ou oitenta, preto ou branco, cinza jamais. Dei uma chance a novidade e voltei atrás em um dos meus “nãos”, dos meus “nuncas”. Conviver com um animal era uma coisa que eu tinha como certa de que jamais faria. Superlativa como sou, eu ainda afirmava que “não suporto cachorro” e que “gato eu tenho repulsa”, repeti isso ao longo da vida.

Aí, lá vem ela, a vida, dá meio mundo de voltas e me mostra que nem tudo é o que parece ser, que vale a pena ir profundo, permitir-se rasgar rótulos e aceitar mudanças. Vem a vida e apresenta o que é novo pra mim, nu e cru, e eu consigo ver além.

Dentro de um monte de oferta a ver e sentir diferente, vem uma cadelinha mimosa, que me ganhou no primeiro olhar. Pouco a pouco ela foi desconstruindo o meu “não” e descortinando um sentimento que, até então, eu desconhecia. Foi entrando na minha rotina devagarinho e hoje eu já nem durmo direito se ela não tiver ao lado. Já me acostumei com seus passinhos atrás dos meus e até já leio o que ela tá querendo, pelos olhos. Ela se chama Kika, uma pitbull que de tanto receber amor, só amor terá a dar.

Kika trouxesse ensinamento, como tudo e todos que aparecem em nossa vida. É só prestar atenção e não ser irredutível. Se dar a chance de experimentar. Pra que ser tão inflexível? A intransigência reduz a gente, apequena, diminui. Bom mesmo é conhecer o diferente, provar novos sabores, escrever novas páginas e ler outros conteúdos. Assim a gente se agiganta. Jogar fora preconceitos, mudar conceitos e até adotar novos fazem a gente crescer.

Eu, que de tão radical, fiz até uma lista das coisas que jamais faria, estou sendo convidada a mudar de ideia e isso tem sido enriquecedor. Abrir mãos de velhas e limitantes crenças, é saudável. E isso não tem nada a ver com corromper a essência. Isso tem a ver com evolução. O que está no suprassumo permanece e sempre imperará.

Se for pra ser melhor, mude! Se for pra ser maior, transmute!

“Eu nasci assim e vou ser sempre assim”, a lei de Gabriela, limita- nos. Conhecer o novo, para se converter ou não, é no, mínimo, libertador.

Se você, como eu, repetiu mil vezes que “não, eu nunca” ou “isso eu jamais faria”, tenta pensar diferente. Quem sabe mudar de ideia e rever seus conceitos, não lhe fará bem?

Por que não mudar a cor do cabelo? Fazer uma tatuagem? Perdoar quem foi contra os seus conceitos? Usar sapato alto? Deixar as unhas crescerem? Entrar numa aula de dança pra aprender arrocha? Ou cantar em público? Fazer uma foto sensual? Tomar algumas taças de vinho? Provar espinafre, piqui, sarapatel? Vestir um paletó ou uma fantasia de palhaço? Tirar a carteira de motorista? Criar um animalzinho de estimação? Largar esse cigarro? Desapegar-se daquele móvel? Por que não?

Minha “lista de não, nunca” está ficando menor, depois que eu revi os meus conceitos, e eu estou ficando maior.

Acho mesmo que isso é reinventar-se, é surpreender-se, é re-significação.

E em tempo, digo que Kika, a menina da casa, está me fazendo muitíssimo bem.

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.

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