Mulheres da Cadeia Feminina de Petrolina aprendem ritmos regionais em oficina do Circuito de Dança na Periferia

Projeto ainda deve chegar em outras instituições nas próximas semanas

(Foto: Antonio Carvalho / Cia. Balançarte)

 

A dança fez as reeducandas da Cadeia Feminina de Petrolina viajarem sem sair do lugar. Vestidas de todas as cores, as mulheres dançaram Maracatu, Frevo e Maculelê. Na última sexta (01), usando o movimento do próprio corpo, elas fizeram acontecer uma verdadeira folia naquele lugar que, em instantes, deixou de ser um ambiente rude para um local cheio de sorrisos. 15 detentas demonstraram os resultados da oficina realizada pelo 1º Circuito de Dança na Periferia em uma apresentação para suas colegas de pena no pátio da colônia penal.

 

Durante uma semana, essas mulheres que estão cumprindo seus deveres com a justiça tiveram encontros para aprender os ritmos populares da Cultura pernambucana em aulas ministradas pela bailarina Ingrid Beatriz. “Tivemos dias tristes, felizes e até envergonhados. Independente do que elas fizeram, elas merecem sorrir, dançar e serem vistas. Espero que tenha ficado um pouco da alegria da Dança Popular nelas”, afirma a instrutora de dança.

 

S. S. F., uma das participantes, disse que ainda não conhecia alguns ritmos apresentados nas aulas. “Achei muito bom, todos interagiram muito bem. (…)  Muitas pessoas ficam aqui muito reservadas e essa é uma oportunidade de aprender cada vez mais”, disse. E, sua colega, a reeducanda M. R. disse que quer continuar dançando depois que estiver em liberdade.  “Cadeia todo mundo sabe como é parado e isso é animação. Essa é a nossa Cultura, a gente tem que aprender”, comentou.

 

Esse foi o intuito da chegada do projeto, através dos ritmos regionais incluir dinâmica e criatividade nas atividades das 52 detentas da unidade, que participaram das aulas ou assistiram seu resultado. A supervisora da cadeia Paula Oliveira Freire diz que elas ainda não têm atividades regulares de arte, mas acredita que isso ajuda na ressocialização dessas mulheres. “Quando acontece, eu observo que elas ficam mais integradas e esquecem um pouco o peso da pena. Dá uma sensação de felicidade, não só para quem participa diretamente, mas para todas. Deixa o ar mais leve”, comenta.

 

Circuito de Dança na Periferia continua oferecendo oficinas em fevereiro

 

O projeto da Cia. Balançarte, que conta com o incentivo financeiro do Governo do Estado de Pernambuco através do Edital Funcultura Geral 2017, realiza atividades artísticas em diversos espaços da cidade, devendo chegar à mais duas instituições nesse mês de fevereiro. Essas ações fazem parte do segundo ciclo do circuito, sediado na Associação das Mulheres Rendeiras, que também atende mulheres e jovens em situação de risco social.

 

De segunda (04) a sexta (08), será ministrada uma oficina de dança experimental no Centro de Recuperação Evangélico Livres para Servir (CRELPS), pela manhã. Entre 11 a 15 deste mês de fevereiro, outra instituição ainda deve receber aulas de dança contemporânea. “A gente também visualiza algumas periferias no centro da cidade, lugares que precisam de um olhar. Entendemos que quem frequenta esses lugares vem de várias periferias para cá”, explica Marcos Aurélio Soares, coordenador do circuito.

Por Adriano Alves / Agência Virabólica

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