“Nos expulsaram”, dizem ambulantes proibidos de comercializar no Mercado do Produtor de Juazeiro

(foto: reprodução/internet)

A rotina do casal Felisberto Carvalho, 46 anos, e Tatiane Bezerra, 36 anos, há três anos é a mesma: de segunda à sexta-feira eles acordam às 2h da manhã para preparar café, suco e marmitas de cuscuz. Às 5h30 eles saem de casa, no bairro Piranga, empurrando o carrinho improvisado onde ficam armazenados os alimentos, com direção ao Mercado do Produtor de Juazeiro. Entre 6h e 8h30 da manhã, o casal vende o café da manhã para os comerciantes e consumidores da central. A marmita custa apenas R$ 5 reais, e dá direito ao café ou suco.

O casal, que tem dois filhos e veio de São Paulo, viu na maior central de abastecimento do nordeste uma oportunidade de ganhar dinheiro através da comercialização da comida nordestina. E deu certo. Com o dinheiro que ganham, custeiam todas as despesas básicas de casa. Quando iniciaram o comércio, a diretoria do mercado exigiu que o casal preenchesse uma ficha, que autorizaria formalmente a venda dentro da central, e a escolha de um ponto fixo.

Entretanto, há cerca de três meses, de forma inesperada, o casal foi proibido de realizar as vendas dentro do espaço. O motivo, segundo Felisberto, é que donos de restaurantes, situados dentro do Mercado do Produtor da cidade, estariam se incomodando com a comercialização do casal. Alegando que as vendas em seus respectivos estabelecimentos estavam ameaçados, eles se reuniram com a diretoria da central de abastecimento, que decidiu proibir o comércio dos ambulantes, informou o comerciante.

Carrinho do casal (foto: arquivo pessoal)

“Mas isso é mentira. Chegamos às 6h e saímos às 8h30, e os restaurantes só abrem às 9h. Fornecemos o café da manhã do pessoal. Decidiram isso por eles mesmos. Inicialmente um funcionário de lá (do mercado) falou que havia sido uma decisão da vigilância sanitária, pois não estávamos seguindo as normas. Mas ninguém nunca vistoriou nada da gente. Depois foi que revelaram que na verdade foi os comerciantes que quiseram isso. Ninguém sentou para conversar isso com a gente. Só nos expulsaram”, contou Felisberto Carvalho.

Para Sérgio Roberto, que há anos é cliente do casal, a decisão foi tomada de forma arbitrária. “A administração do mercado, por querer agradar os permissionários que pagam altos preços de aluguel dos seus pontos comerciais, tomou a decisão de forma arbitrária e sem nenhum aviso prévio. Eles alegam a falta de registro dos ambulantes, sendo que foi exigido de todos ano passado a realização de um cadastro onde todos disponibilizaram seus dados para a permissão de trabalhar, Esse registro não foi levado em conta na hora da efetivação da permissão”, acrescentou.

Com a decisão, o casal passou a vender as marmitas próximo a entrada do Mercado do Produtor. Mas ainda assim, vem enfrentando resistência por parte da administração. “Proibiram que o pessoal entre com as marmitas no mercado. O pessoal da administração obriga que os guardas proíbam que entremos no espaço para entregar as marmitas aos nosso clientes, e até mesmo proibiu que os clientes entrem com mais de uma marmita”, relatou Felisberto.

Preocupado, o comerciante desabafa. “É meu único meio de sobrevivência. Sem isso, não sei como seria a vida da gente e dos meus filhos. Vivo preocupado”.

O PNB está em contato com a Autarquia Municipal de Abastecimento (AMA) da cidade para saber a posição do órgão sobre a situação.

Da Redação

1 comentário

  • Fatima disse:

    Decisão arbitraria e absurda…. tantos pais de familia que vivem dessa renda e sao proibidos de trabalhar… O Prefeito anterior e tb esse estao isando tao somente o lucro no mercado, lucro esse às custas da opressao dos trabalhadores.

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