Falta clareza na agenda de Bolsonaro, diz Maia a investidores nos EUA

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (14) que a falta de clareza sobre as políticas do governo Jair Bolsonaro cria dificuldade para que os parlamentares aprovem a reforma da Previdência.

Segundo o deputado, as mudanças no sistema de aposentadoria não são suficientes para resolver os problemas de desemprego e desigualdade.

“Ainda não compreendemos, olhando a longo prazo, quais são as políticas que este governo trouxe para sobrepor os 13 anos de governo do PT, que trouxe uma agenda que foi muito criticada, inclusive pelo DEM. Não é o DEM que está no governo, mas a direita mais extrema que está no governo, e até agora a gente não entendeu qual é essa agenda”, afirmou Maia durante palestra em Nova York para investidores e empresários.

“Este também é um outro problema: se a gente sabe como tirar algo que se esgotou, mas a gente ainda não sabe o que colocar no lugar, isso também gera certo desconforto na relação entre os Poderes, porque o deputado vai votar uma matéria como a Previdência e quer entender como essa votação vai gerar um impacto na melhoria da qualidade de vida dos seus eleitores.”

Ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que também defenderam a necessidade de aprovar a reforma, Maia afirmou que ele mesmo tem invertido o discurso para buscar alternativas que organizem “a outra parte das despesas públicas”.

“A Previdência sozinha não vai resolver o nosso problema de crescimento, de geração de emprego, isso está sendo muito propagado no Brasil. Eu parei de fazer isso há 30 ou 40 dias quando percebi que estava errando. Não haverá, no dia seguinte [à aprovação da reforma], o que nós esperamos de resultado.”

O governo Bolsonaro tem tido dificuldade de articular uma base sólida no Congresso para fazer avançar medidas consideradas prioritárias, como as mudanças na aposentadoria. Essa é a principal bandeira da equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes (Economia).

“Precisamos organizar a outra parte das despesas públicas, como é que vamos, num país com 13 milhões de desempregados e 15 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, organizar o Estado para atender a essas pessoas?”

O chefe do Senado, por sua vez, disse que a presença dos presidentes dos três Poderes diante da plateia de investidores tinha o objetivo de “passar para o cenário internacional que estamos em harmonia” no empenho para a aprovação da reforma da Previdência.

Maia admitiu mais uma vez que há uma tensão no relacionamento entre Congresso e Planalto e afirmou que isso é fruto da relação da sociedade com a política. Mas ponderou que Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, têm participado mais na articulação e diálogo com os parlamentares nos últimos dias.

O presidente da Câmara também disse que a reforma da Previdência será aprovada pelo Congresso até setembro.

Durante almoço privado em Nova York, o deputado tentou dar alguma previsibilidade de datas aos empresários -que esperam o aval do Legislativo ao projeto do governo Bolsonaro antes de colocarem dinheiro no Brasil.

Segundo a reportagem apurou, Maia não cravou o valor exato de economia na próxima década caso o texto seja aprovado, mas afirmou que não há como sair R$ 800 bilhões se “tudo der errado” e o projeto for muito desidratado.

A conta inicial da equipe de Guedes era que, em dez anos, o governo economizaria R$ 1,2 trilhão caso o Legislativo aprovasse o projeto tal como ele foi encaminhado pelo Planalto. Os deputados, porém, já iniciaram uma série de pedidos de alteração no texto e resistem, principalmente, ao sistema de capitalização proposto pela equipe econômica.

 

Fonte Folha Press

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