Sempre Aos Domingos: “Existem pessoas insubstituíveis, sim!”, Por Sibelle Fonseca

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Vocês vão me dar licença, mas hoje eu preciso falar de uma pessoa minha.

Há 8 anos um rompimento nas suas conexões foi o bastante para levá-la para algum lugar que eu não sei. Foi levada de mim e dos outros seus, mas ainda vive conectada em nós. Como continuam conectadas com o mundo de cá, aquelas pessoas que conquistaram o lugar de viver para sempre em alguém. Aquelas que ocupam o lugar do inesquecível. Do insubstituível. Sim, sim, existem pessoas insubstituíveis. Você certamente tem o seu, a sua insubstituível. Eu tenho alguns.

Ninguém vai me olhar mais como meu pai me olhava, por exemplo. Ninguém vai me amar como minha avó me amou. Ninguém vai me mimar como meu avô me mimava. Nem tocar para mim, como Edésio tocava. Tenho outros tantos insubstituíveis lá por cima. Mas hoje é dela que preciso falar. Minha irmã, que num dia horrível de outubro partiu deixando um fosso dentro de mim e dos outros seus.

Ninguém nunca mais me sorriu daquele jeito. Nem o brilho do seu enorme olho me fitou. O seu cheiro pachouli em outras peles não tem o mesmo perfume. Outras palavras não possuem o mesmo peso da verdade das dela. Era intensa essa minha irmã. Visceral e superlativa em tudo. Era capaz de amar defeitos e potencializar virtudes com um exagero quase mentiroso. Isso para os que ela arrastava para debaixo das suas asas. Foram muitos. Eu, a mais abrigada. Desconheço alguém a quem ela odiasse, mas perdi as contas daqueles que ela olhava feio, “só porque o santo não bateu”. Geralmente ela tinha razão. Os santos não eram afins. Outras vezes, ela confessava que errou, e trazia o santo pra dentro de casa.

Farta, exagerada, gulosa. Compulsiva por vida. Extremosa e extremista, como mãe, amiga, como filha, como irmã, como mulher…

Tinha um apego tão grande as coisas, que precisava delas para, num triz, se desfazer e fazer alguém feliz.

Sorria de doer a barriga e chorava como se o mundo fosse se acabar. Enfrentava seus medos morrendo de medo de desagradar. Uma mulher oprimida também, a minha irmã. Mas também ousada, irreverente e corajosa, ela. Nada normal.

Ela foi especial. Eu e os outros seus sabemos disso.

Quando ela foi embora, eu disse em dor aguda que “eu nunca mais seria a mesma”. E não poderia ser. Fiquei melhor depois dela. Muito melhor.

Os momentos divididos me fizeram melhor. Também as lágrimas choradas em dupla. Seus aplausos me fizeram melhor. Seus “esculachos”, vixe maria, me melhoraram um bocado! Sua vida me dignificou e eu ganhei mais um exemplo a seguir.

Um exemplo de gente insubstituível.

O tempo tá passando e soprando a dor de uma ausência tão presente. 8 anos. Uns chegaram, outros partiram. Eu e os outros seus daqui ainda estamos na estrada buscando ser insubstituíveis.

Assim, como você, Neyla!

Sibelle Fonseca é radialista, juazeirense apaixonada, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.

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