Juazeiro: “invasão” das abelhas continua e 9°GBM alerta que atear fogo nos exames é crime e pode causar incêndios

 

 

A “invasão” das abelhas às áreas urbanas continua no município de Juazeiro, no Norte da Bahia. Nessa terça-feira (13), por exemplo, o 9° Grupamento de Bombeiros Militar (9°GBM/Juazeiro) capturou, em apoio a ONG Abelha Viva, um enxame no bairro Palmares I.

(Foto divulgação- 9° GBM)

“Fazemos essa atividade em apoio a ONG, eles levam as abelhas para um ambiente seguro e nos dão suporte durante a ação. Para a captura, nssos militares usam equipamentos adequados, o que é fundamental, para evitar possíveis ataques”, explicou o tenente-coronel Tarcísio Ribeiro.

O comandante da unidade também alertou que o resgate das abelhas deve ser feito por pessoas especializadas, para evitar ataques.

“É importante lembrar os cidadãos a não tentarem capturar abelhas, elas podem atacar e a pessoa ficar gravemente ferida. Principalmente se acontecer alguma reação alérgica.”, acrescentou.

(Foto divulgação-9° GBM)

 

Outra preocupação do 9° GBM é com possíveis incêndios que podem ser provocados por populares que na tentativa de afastar as abelhas, acabam ateando fogo nos enxames.

Quando se depararem com enxames em suas residências, principalmente no telhado, entre paredes, não ateiem fogo para matar as abelhas. Primeiro porque é crime, e segundo porque pode causar um incêndio de médio e grande porte, ou seja, causar um transtorno muito maior do que a própria presença das abelhas em si nas suas áreas, nas suas residências, explicou Tarcísio Ribeiro.

O comandante orienta que, ao avistar abelhas em sua residência, o cidadão deve entrar em contato imediatamente com o 9º GBM através do 193 ou do (74) 3612-5094.

Exameação-

A coordenadora da ONG Abelha Viva, Lícia Regina Lopes da Silva, explica que as abelhas estão “de passagem” por conta do período de “exameação”, um ciclo natural da abelha que se dá quando as colmeias se dividem, e é escolhida uma nova abelha rainha e a abelha rainha velha migra com parte das operárias em busca de local seguro.

“Elas estão migrando para a área urbana por conta da exameação. Quando elas chegam [nesses locais], elas procuram proteger a rainha e descansam. Ás vezes elas descansam por 24 horas e até 72 horas. A exameação acontece no período da primavera e do verão, mas neste ano a situação está atípica. Nós nunca presenciamos essa situação aqui em Juazeiro. E os apicultores de Petrolina relatam o mesmo. Por isso, estamos estranhando a quantidade de enxames que está aparecendo na região”, disse a apicultora.

Desmatamento – A “invasão” das abelhas às áreas urbanas também tem outra explicação: sem as áreas naturais, elas acabam procurando outros espaços onde possam se reproduzir. Uma explicação para essa situação é o desmatamento, e, consequentemente, a destruição de locais naturais. Na falta desses espaços para se reproduzirem, elas migram para outros locais. A quantidade de alimentos encontrados na cidade e a proximidade com o rio facilitam essa migração. Esses novos enxames se alojam principalmente dentro das casas e quintais, beirais de edificações, postes de iluminação pública, ocos de troncos de árvores, fendas em muros e paredes.

Ataques – Os ataques das abelhas também têm uma explicação. Elas costumam agir motivadas por algum estímulo externo. Quanto maior o movimento, mais irritadas elas ficam. Dessa forma, as áreas centrais das cidades são favoráveis a esses ataques. Em um recente, na segunda-feira (14), um idoso de 71 anos morreu após receber dezenas de picadas durante um ataque dos animais no Centro de Petrolina. Especialistas consideram ainda que o calor também deixa as abelhas mais agitadas e agressivas.

Remoção – A remoção das colmeias é realizada, geralmente, no turno da noite, pois é quando as abelhas se concentram no abrigo. Após serem capturadas, as abelhas são levadas para os apiários.

Com o surgimento cada vez mais frequente de enxames, é preciso procurar ajuda especializada para recolher as abelhas e evitar novos acidentes. Em Petrolina, a solicitação é através do projeto ‘SOS Abelhas’, pelos telefone do CCZ, (87) 3867-4774, ou do Corpo de Bombeiros, (87) 9 8877-2497. Em Juazeiro, a ‘Abelha Viva’  atende pelo telefone (74) 988078757 ou 193, do Corpo de Bombeiros.

Crime – A Lei 9605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), considera crime ambiental o extermínio de abelhas. O artigo 29 diz que: “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”, e prevê pena com detenção de seis meses a um ano, e multa.

Cuidados

– Caso visualize um enxame de abelhas em seu quintal, jamais tente fazer a remoção por conta própria, se afaste e ligue imediatamente para o telefone de emergência 193;

– Atenção redobrada com as crianças e os idosos. Oriente seus filhos para que não brinque próximo ao enxame e não jogue nenhum objeto nas abelhas;

– Afaste os animais domésticos do enxame, qualquer barulho que eles façam, poderá irritá-las e desencadear um ataque;

– Abelhas não gostam de barulho, se for realizar algum trabalho que necessite utilizar máquinas barulhentas ou usar equipamentos motorizados, faça uma inspeção cuidadosa do local e tenha certeza de que não exista nenhum enxame próximo;

– Ao se deparar com um enxame de abelhas em deslocamento, abaixe-se e se perceber que será atacado, corra, preferencialmente em zigue-zague;

– Caso seja atacado, proteja das picadas o pescoço e o rosto, com a ajuda de uma camiseta ou outra vestimenta;

– Pessoas comprovadamente alérgicas devem evitar caminhadas em locais próximos a matas;

– Mantenha a calma, não faça movimentos bruscos perto do enxame, evite bater nas abelhas, afinal, elas têm o instinto natural de defender as colmeias, e certamente irão atacar caso identifiquem alguma ameaça.

Da Redação

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