Hospital Regional de Juazeiro: “Um caos, além de tudo, você corre o risco de vir extrair uma unha encravada e pegar a covid 19”, reclamam pacientes

(foto: arquivo)

A crise no Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia, em plena pandemia do novo coronavírus, e, neste período de aumento de casos nos municípios da região, além de atingir os funcionários, que reclamam de falta de condições de trabalho e salários atrasados, vem afetando os pacientes da rede PEBA que precisam dos serviços de urgência da unidade hospitalar. Na manhã desta terça-feira (1º), alguns pacientes do HRJ entraram em contato com a redação do PNB para denunciar a falta de insumos no hospital.

“Eu precisei fazer um exame de urina e fui informado que não tinha coletor, um material básico, inadmissível que falta esse recipiente necessário para um exame de diagnóstico. Por sorte, uma outra paciente, que estava na enfermaria, tinha um e me emprestou. Um caos! O tempo em que fiquei em observação pude ver a precariedade no atendimento e o hospital lotado”, revelou um paciente.

Além de medicamentos e insumos, de acordo com o usuário do serviço, nos banheiros não existe nem sabonete, nem álcool apropriado para prevenção ao coronavírus.

“Aqui não existe álcool para higienização das mãos e nem mesmo sabonete nos banheiros. Os funcionários ficam constrangidos, mas eles não tem culpa, embora sejam os que ouvem a reclamação dos pacientes”, acrescenta.

No último dia 23, após ação da Operação Metástase da Polícia Federal que desarticulou um esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos destinados à gestão da unidade, o Secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, anunciou a Osid-Obras Sociais Irmã Dulce como  nova empresa administradora do HRJ. Decorridos sete dias da transição, os problemas só aumentam e também o número de pacientes que dão entrada no hospital com a covid 19 e demais enfermidades.

“Isso aqui está um horror. Faltam medicamentos, insumos e Deus é quem sabem se estão adotando alguma medida de segurança em relação ao coronavírus. Se não tem nem álcool e sabão, imagine o resto. Funcionários e pacientes correndo grande risco de contaminação. Aconselho as pessoas, mesmo doentes ou necessitando de algum atendimento de urgência, que tentem ir para outro hospital ou se tratem em casa. Um caos mesmo, além disso você corre o risco de vir extrair uma unha encravada e pegar a covid 19, além de toda humilhação que se passa aqui com este serviço de péssima qualidade”, finalizou o paciente.

Atraso nos salários 

De acordo com os funcionários, os salários de outubro estão atrasados e eles temem que o pagamento referente ao mês de novembro, bem como a primeira parcela do décimo terceiro, também sofram atraso. A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) garantiu que os pagamentos seriam regularizados após a entrada da Osid-Obras Sociais Irmã Dulce, empresa que assumiu a gestão do hospital, em decorrência das denúncias de irregularidades atribuídas a IBDAH. A ex administradora do HRJ deixou a direção após a unidade hospitalar ser alvo da Operação Metástase.

“Os profissionais não têm mais condições de ir trabalhar pois não têm dinheiro. Ninguém sabe de nada, pois eles não passam nenhuma informação. Estamos extremamente preocupados”, acrescentou uma funcionária do HRJ.

Em nota enviada ao PNB, a Sesab disse que “os eventuais créditos da antiga gestora serão utilizados para regularizar os pagamentos dos funcionários do Hospital Regional de Juazeiro” e que serão efetuados pela própria secretaria. “Não há qualquer interferência da nova gestora no salário dos funcionários”, acrescentou o órgão, que também foi alvo da operação.

Da RedaçãO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.