Aquicultura mostrou a importância do cooperativismo para a produção local de pescados

Aquicultura mostrou a importância do cooperativismo para a produção local de pescados

“Estamos todos aqui com força e união
mostrando a força da piscicultura na nossa região
beneficiando o produto e agregando valor à produção”

Este trecho de cordel feito e apresentado por Letícia Oliveira, estudante da Escola Família Agrícola de Sobradinho, é um demonstrativo do que foi o I Festival Territorial da Pesca Artesanal e Aquicultura. Com o tema “Nosso rio, nossa beleza”, o evento não poderia ser diferente e evidenciou a força da produção local de peixes.

O festival foi realizado pela Cooperativa de Produção e Comercialização dos Derivados dos Peixes de Sobradinho (Coopes) no último sábado (30), no Terminal Pesqueiro e na Colônia de Pescadores de Sobradinho e contou com uma programação que envolveu exposição, minicursos, palestras, apresentações culturais e shows.

A agricultora Maria de Lourdes Bezerra aproveitou o festival para interagir com os palestrantes e partilhar sobre uma espécie que viu muito no rio São Francisco. Ela disse que foi bom porque está sempre “aprendendo mais e mais. Pra mim foi um prazer de falar do peixe pacamã. Foi um peixe que eu peguei muito na minha infância, comi muito. Pra mim será um prazer de saber que em algum lugar ainda tem esse peixe e que ele seja preservado”, revela esperançosa dona Maria de Lourdes.

A agricultora também enfatiza a importância da realização de eventos desse tipo para animar as pessoas da cidade. “É muito importante ter mais festivais. Tudo tá sendo importante para a cidade de Sobradinho, o pessoal tá muito parado”, reclama.

Para a engenheira de pesca da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Josiane Araújo, que mediou palestras, é preciso “organizar as pequenas produções para a gente fazer uma comercialização grande. Uma coisa é você produzir, a outra coisa é você conseguir fazer a parte de beneficiamento, é ter um rótulo, uma marca e isso a cooperativa [Coopes] tem”. Ela também destacou a importância da presença de instituições que se envolveram no festival, como a Central da Caatinga e chamou atenção para a necessidade de fortalecimento das articulações. “Todos da agricultura familiar, todos que precisam se articular em rede, que precisam estar unidos, para que a gente possa dar visibilidade”, apela.

O presidente da Colônia de Pescadores Z-026 de Sobradinho, Ailton Moreira, destacou o trabalho com os jovens, a parceria com a cooperativa local, as temáticas abordadas no festival e avaliou que é preciso mais eventos. “Falamos alí da questão da pesca artesanal, a pesca predatória, a questão da degradação. A gente vai precisar de mais dias ainda para discutirmos essa degradação do ambiente”, apontou o presidente da Colônia.

Ao longo dos debates, tanto das falas dos palestrantes, quanto do público, ficou evidente a necessidade de fortalecer o associativismo e o cooperativismo para alavancar a produção regional, que tem potencial e capacidade para atender os mercados locais. Outro tema importante, segundo a presidenta da Coopes, Rosália Araújo, foram os esclarecimentos acerca de um Termo de Ajustamento de Condutas (TAC), que os/as piscicultores/as precisam seguir. “Essa parte do TAC foi fundamental para tirar dúvidas de muita gente que estava preocupada e a Coopes também tem essa preocupação, porque a Coopes trabalha com peixe e temos cooperadas que são piscicultoras e que precisavam desse apoio”, ressalta.

A programação do festival ofertou dois minicursos de receitas com pescados, com destaque para receitas como a torta e a pizza de tilápia. A cozinha gastronômica atraiu a atenção do público e despertou os/as presentes para novas possibilidades. “Tive a oportunidade de prestigiar a cozinha Show com o chef Erick Rodrigues. Foi maravilhosa essa experiência! Nunca tinha visto. É coisa nova e realmente deveria ser inserida no nosso mercado gastronômico, que é carente de receitas nessa linha da tilápia”, ressalta Sumaia de Paula, piscicultora e expositora.

Durante todo o evento, os/as visitantes puderam visitar stands montados na área externa do terminal pesqueiro e conhecer produtos e trabalhos desenvolvidos por organizações como a Escola Família Agrícola de Sobradinho – EFAS, a Central da Caatinga e a Coopes, que apresentou produtos como o bolinho e a linguiça de tilápia.

A presidenta da Coopes Rosália Araújo destaca que o apoio de todas as entidades contribuíram para o sucesso do Festival. “As expectativas que a gente tinha, a gente tá conseguindo [alcançar]… Acredito que vai ficar na história e que no ano que vem a gente possa fazer o segundo festival, porque foi muito bom mesmo”, projeta.

A coordenadora administrativa do Irpaa, Nívea Rocha ressalta que “isso tudo é uma consolidação para fazer acontecer os grandes eventos que valorizam o trabalho coletivo, sobretudo o empoderamento das mulheres que, com muita garra e muita força uniram os parceiros para realizar o seu primeiro festival”, aponta.

A primeira edição do festival teve o apoio do Estado da Bahia, por meio da CAR, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), da Central das Cooperativas da Caatinga (Central da Caatinga) e da Prefeitura Municipal de Sobradinho.

Futuro promissor da Coopes: A cooperativa, que teve o início das atividades em 2003, tem as mulheres como protagonistas e conta atualmente com 80 famílias cooperadas. Desse total, 28 são piscicultores/as recém-ingressados/as. A produção, que até o momento atende apenas mercados locais, deve se expandir. Isso porque a entidade terá em breve a unidade produtiva em pleno funcionamento com os setores de evisceração, de embutidos, graxaria (fabricação de óleo de peixe) e fábrica de gelo.

Todas essas melhorias só foram possíveis porque a Coopes acessou recursos para estruturação, formação e assessoria por meio de um edital do Governo do Estado da Bahia. “Tá sendo um pontapé muito grande, porque a gente já tem mais de 4 anos que tem esse edital ganho e agora que a gente tá conseguindo realizar. Tudo leva a gente a subir degrau, por degrau. Foi e está sendo difícil, mas está sendo uma conquista boa”, conclui Rosália Araújo.

Ascom/Irpaa

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