111 famílias agricultoras do território de identidade sertão do São Francisco serão certificadas como produtoras de orgânicos

111 famílias agricultoras do território de identidade sertão do São Francisco serão certificadas como produtoras de orgânicos

Na próxima sexta-feira (2), 111 famílias agricultoras que produzem frutas e hortaliças nos municípios de Juazeiro, Sobradinho, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes, Sento Sé e Uauá receberão o certificado de conformidade orgânica. O evento de entrega dos certificados acontecerá a partir das 16h30 no espaço da Feira de Orgânicos do Armazém da Caatinga, localizado na Vila Bossa Nova (Orla II), em Juazeiro.

O processo de certificação foi realizado através do Sistema Participativo de Garantia (SPG), isto é, aconteceu de forma coletiva, na qual um núcleo de agricultores/as organizados/as avalia e certifica a produção de outros/as agricultores/as. Este método é mais simplificado e mais barato do que a contratação de auditoria e é igualmente reconhecido pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Com essa autenticação, as/os agricultoras/es poderão acessar mercados mais especializados e gerar mais confiança para seus clientes. É o que destaca a coordenadora do pré-núcleo Sertão do São Francisco, e também uma das agricultoras que receberá a certificação, Carmem de Oliveira. “A gente vendendo nas feiras, a gente vende só com a relação de confiança mesmo. Com o selo, a gente vem agregar valor ao nosso produto e vai ampliar uma relação de confiança diante dos nossos clientes. E outras portas se abrirão, outras fontes de comercialização se abrirão com a certificação. Então, pra nós, enquanto agricultores e agricultoras, é um grande passo”.

O agricultor agroecológico Ancelmo Cordeiro, da unidade produtiva Flores da Vargem em Juazeiro, também celebra esse momento de reconhecimento. “Dizendo só de boca que somos orgânicos e agroecológicos, mesmo praticando, muitas vezes as pessoas não acreditam. Esse selo com certeza vai ser uma ferramenta a mais para comercializarmos o nosso produto”. O agricultor enfatiza que, além do certificado, tem toda uma consciência ambiental e solidária na prática agroecológica. “Tem que ter essa visão de que todos tenham acesso ao produto limpo e saudável, temos que pensar nos nossos irmãos. A gente tem que pensar não apenas no certificado, mas numa agricultura ecológica e em uma economia solidária”, conclui.

Durante o processo de certificação, os/as agricultores/as participaram ativamente de reuniões para trocas de experiências e para garantirem a qualidade orgânica dos alimentos, bem como fazer o monitoramento mútuo da produção, pois caso ocorra alguma irregularidade todos são penalizados. “Destaco a importância da participação dentro do processo, através das reuniões de grupos, de núcleos, as visitas de pares, o olhar externo e da participação das reuniões e do circuito de comercialização junto com toda a Rede de Agroecologia Povos da Mata. Esperamos que seja uma semente que foi plantada e que novos grupos de agricultores [de orgânicos] surjam nesse território”, afirma o coordenador do projeto de certificação, Cláudio Lyrio.

Lyrio destaca ainda que a certificação, nesse molde participativo, deve se expandir a outras áreas produtivas. “É um marco para toda essa região, vamos ter um número de agricultores certificados dentro do escopo vegetal primário. Futuramente vamos trabalhar com os escopos agroindústria e animal”.

A ação foi executada pela Associação Povos da Mata, organização contratada pelo Estado da Bahia por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). A iniciativa conta com co-financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e apoio do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa); Coopervida e Central da Caatinga.

 

Ascom evento Certificação Orgânica Participativa

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