
Em entrevista ao Palava de Mulher desta terça-feira (15), vereadores do município de Remanso, norte da Bahia, informaram que protocolaram uma queixa na Polícia Federal (PF) a fim de apurar o destino de um recurso federal recebido pela gestão municipal. Segundo os parlamentares, a quantia de mais de 1 milhão de reais foi enviada pelo Fundo de Manutenção da Educação Pública (FUNDEB) para o pagamento do 14° salário dos professores da rede municipal.
Os vereadores João Pinga-Pinga (PCdoB), Humberto Santos (PCdoB) e Didi (PCdoB), também informaram que, na prestação de contas do ano de 2018 ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), o prefeito José Clementino de Carvalho Filho (PSD) constou o pagamento referente ao abono salarial para os professores, nos valores de R$ 82.025,71, R$ 1.054.134,06 e R$ 346.254,37.
De acordo com os parlamentares, as folhas são fantasmas, visto que nenhum professor do município recebeu os referidos pagamentos no mês de dezembro de 2018, nem nos meses subsequentes.
“O que questionamos e queremos apurar, é quem são os beneficiários disso. Com certeza, o dinheiro já não está mais nessa conta, depois de cerca de dez meses”, acrescentou o vereador Humberto Santos.
Desde o dia 7 de outubro, quando o PNB publicou a mesma denúncia da APLB (Sindicado dos Professores em Educação do Estado da Bahia), que emitiu uma nota sobre a suspeita de desvio de verba, e considerou o “ato deliberadamente criminoso”, o PNB fez diversos contatos com a Secretária de Educação de Remanso, mas a gestora manteve-se em silêncio.
Hoje a tarde, após mais uma tentativa, conseguimos da secretária Veraneide de Brito Almeida, uma manifestação sucinta. A gestora assim nos respondeu sobre as acusações: “Até o momento não foi formalizada nenhum tipo de denúncia, caso seja feita denúncia formal terei o maior prazer, tanto eu quanto o prefeito, em prestar esclarecimentos”.
Nota da APLB
“A grande gravidade desse ato deliberadamente criminoso contra a coisa pública, especialmente contra a Educação Pública e contra os professores/as da Rede Municipal, que deve ser matéria de investigação pelos órgãos responsáveis pela fiscalização das contas públicas, é que a Gestão Municipal de Remanso utilizou sem o consentimento dos mesmos, “XX” professores/as para desviar o dinheiro público. Nenhum professor/a ficou sabendo de tal coisa, nenhum professor/a recebeu tal abono salarial, e ainda assim foi apresentada prestação de contas ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) do empenho como quitado”, diz a nota.
Da Redação