A Feirinha da Cores, ação de combate à insegurança alimentar da população LGBTQIA+ de Petrolina, volta a acontecer nesta quarta-feira (21), a partir das 18h, na Casa Cores, no Centro da cidade. A retomada foi anunciada pela presidenta da organização, Alzyr Brasileiro, em vídeo publicado nas redes sociais.
A feira ficou parada por um período. Segundo Alzyr, a pausa aconteceu em meio à correria do período eleitoral e à falta de alimentos junto aos fornecedores da casa. Agora, com a retomada das doações, a intenção é manter a feira de forma quinzenal. “Voltamos a receber alimento”, celebrou a presidenta no vídeo.
Na edição desta quarta, a feira terá banana, macaxeira, couve, cebolinha, maracujá, mamão, abóbora e flocos de milho. “Vai ser uma feirinha babadeira”, resumiu Alzyr.
O público-foco é a população LGBTQIA+, cadastrada ou não na Casa Cores. A orientação é que as pessoas levem documento de identificação.
Fome também tem recorte
A insegurança alimentar atinge de forma particular parte da população LGBTQIA+, sobretudo pessoas abandonadas pelas famílias. A avaliação foi feita em 2024 pela então secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, quando a Casa Cores se tornou a primeira unidade a integrar o programa federal Cozinha Solidária, do Ministério do Desenvolvimento Social. Na ocasião, a casa informou servir, em média, 90 refeições por mês, preparadas por cozinheiros voluntários, com a meta de triplicar o número.
Uma casa de acolhimento no Sertão
A ONG Cores (Movimento de Defesa da Cidadania e do Orgulho LGBT+) foi fundada em 2019, em Petrolina. Em entrevista ao Brasil de Fato em 2022, Alzyr contou que o movimento LGBT já existia na cidade, mas sem institucionalização, e que a criação da entidade foi uma resposta aos altos índices de violência contra essa população.
A Casa Cores, na Rua Barbosa Lima, 193, funciona como espaço de acolhimento social e cultural e oferece serviços jurídicos e psicológicos gratuitos. A organização mantém ainda projetos como o Empregabilidade em Cores, voltado à qualificação profissional de pessoas LGBTQIA+, com foco em pessoas trans, o Libras Coloridas, com aulas de Libras, e o Plantão Psicológico. A casa também integra o projeto Acolher, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que apoia 12 casas de acolhimento no país.
É a Cores também que realiza a Parada LGBTQIA+ de Petrolina. A 7ª edição aconteceu em 27 de setembro, na Praça das Algarobas, com o tema “Nosso voto, nossas cores”, viabilizada por recursos próprios da organização, doações e patrocínios privados.
Quem é Alzyr Brasileiro
Presidenta da Cores e uma das fundadoras da entidade, Alzyr é natural da região e atua na linha de frente da defesa dos direitos LGBTQIA+ no interior de Pernambuco. Já foi convidada pelo Ministério Público de Pernambuco para falar sobre o tema em formação de membros da instituição, em Petrolina. Em entrevistas, costuma cobrar do poder público a interiorização de políticas voltadas à população LGBTQIA+ e aponta apoio psicológico e emprego como as principais demandas da população trans na região.


