
(foto: Semário Andrade)
John Bernardino, primo de Diogo Lira Ferreira, 16 anos, que no feriado de 7 de setembro morreu afogado nas águas do Rio São Francisco, na Orla II de Juazeiro, participou ao vivo do programa Palavra de Mulher na web desta quarta-feira (12). O familiar pediu justiça e punição para os proprietários e funcionário da empresa Caiaques do Vale, acusada de ter responsabilidade no afogamento do estudante.
Segundo um amigo de Diogo, eles haviam alugado o caiaque neste dia e decidiram atravessar o rio em direção à Ilha do Fogo. Chegando ao local, encontram dois amigos, que teriam subido na embarcação. O amigo contou que o caiaque chegou a virar duas vezes, e que o funcionário da empresa, ao ver que a embarcação havia virado, teria utilizado outra embarcação para alcançar os jovens e, irritado com o excesso de passageiros e pelo tempo limite já excedido , obrigado que ele e Diogo entregassem os coletes e todos descessem da embarcação. O amigo conseguiu alcançar a margem, porém Diogo não.
“Eu estive no local, quando o corpo ainda estava lá. Testemunhas falaram que o dono do caiaque teria dado ordem para que o funcionário tomasse o caiaque deles e mandasse que eles viessem nadando. Meu primo não sabia nadar. Ele não tinha costume de tomar banho de rio. Diogo foi assassinado”, disse John.
Bastante emocionado, ele desabafou:”Estou revoltado. Deus está me dando força e coragem para resolver essa situação. Eles têm que ser preso. A Justiça tem que ser feita e punir o funcionários e os donos da empresa”, completou.
O primo de Diogo também revelou que, após o ocorrido, ainda na delegacia, teria sido intimidado por um dos filhos do dono da empresa, que foi encaminhado pela polícia para prestar depoimento.
“Ninguém vai me colocar medo. Já me procuraram e peço que não me procurem. Já ligaram pra mim chamando para conversar e eu digo, que só converso com a delegada. No dia do ocorrido, na delegacia, um filho do dono da empresa, acho que o do meio, me perguntou: Você já conheceu um homem na sua vida? E eu disse que conhecia vários. Ele me respondeu: ‘ Você tá vendo outro aqui’. Quero dizer aqui que ninguém vai me botar medo”, avisou o familiar.
A delegada Adelina Araújo assumiu as investigações, mas em contato com o Preto no Branco, informou que as investigações estão em curso e que na tarde de ontem (11) foram ouvidos os jovens que estavam com Diogo no momento do afogamento, familiares da vítima e um funcionário da empresa.
“O Inquérito foi instaurado, mas não foi feito o flagrante no dia. O delegado plantonista entendeu que não havia provas suficientes para fazer o flagrante e por este motivo foi instaurado inquérito regular. Ainda é cedo para anunciar de quem é a responsabilidade, mas alguém tem que ser responsável por isso,” disse a delegada a reportagem do PNB.
Amanhã (13), sétimo dia da morte do estudante, familiares, vizinhos e amigos de Diogo vão fazer uma manifestação pedindo justiça para o caso.
De acordo com John Bernardino, a saída do grupo de manifestantes será às 9 horas, da frente do Colégio Pedro Raimundo Moreira Rêgo, onde Diogo estudava, na Avenida irmã Dulce, Alto da Aliança. O grupo fará uma parada na Câmara de Vereadores, em frente a Delegacia de Polícia e seguirá em caminhada pela Adolfo Viana, orla, até chegar a Orla 2, para um ato de protesto pela morte do jovem.
Às 16 horas acontecerá a visita de cova, com saída também do Colégio Pedro Raimundo Moreira Rêgo, e às 19:30 será celebrada a missa de sétimo dia, na igreja Nossa Senhora de Fátima, no Alto da Aliança, quando amigos, colegas e familiares de Diogo farão homenagens ao jovem.
“Contamos com a participação da população de Juazeiro, dos amigos do Alto da Aliança, dos colegas de Diogo para que possamos pedir que a justiça seja feita e este caso não caia no esquecimento,” concluiu John.
Veja a entrevista completa:
Da Redação



