“Bota a mão na cabeça, vagabundo”: jornalista denuncia abordagem truculenta de Policiais Militares em Petrolina

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(foto: Preto no Branco)

“‘Bota a mão na cabeça, vagabundo’, gritou-me um dos quatro policiais, enquanto apontava um revólver direto para minha cabeça”. Esse relato é do jornalista Jacó Viana, que entrou em contato com a redação do portal Preto no Branco para denunciar um suposto caso de abuso de autoridade e violência cometido por Policiais Militares do 2º Batalhão Integrado Especializado (BIEsp) de Petrolina na noite desta terça-feira (18).

A vítima contou que por volta das 23h30 saiu de casa em sua moto para ajudar um amigo que estava doente e sem transporte e ligou pedindo ajuda para comprar algumas medicações. Jacó alega que na pressa, deixou a carteira com alguns documentos, incluindo a habilitação, em sua residência, e que ao chegar na casa do amigo, no bairro Jardim Maravilha, foi surpreendido com a “abordagem truculenta e totalmente autoritária” de uma equipe do grupamento da BIEsp.

Ao ser abordado, o jornalista contou que foi chamado de “vagabundo” por um dos policiais e teve uma arma apontada para a cabeça. “Mas como sabe ele que sou vagabundo? No dicionário, seu significado evoca a pessoa que não trabalha, não gosta de trabalhar , um ‘vadio’. Só para constar, normalmente pego no batente às 8h e termino lá para 21h, de segunda a sábado”, relatou Jacó.

“A situação foi desorientadora. Não sabia se colocava a mão no capacete, se guardava o celular ou se estendia o pé de apoio da motocicleta para me dar equilíbrio. Estava parado num local íngreme. Mas para os PMs, aquilo era um descaso a sua autoridade. Quem já se viu não colocar a mão na cabeça imediatamente após um comando deles? Só pode ser um crime”, contou a vítima.

Sem a habilitação em mãos, os policiais afirmaram que a moto do jornalista teria que ser apreendida. Incomodado com a postura dos agentes durante a abordagem, Jacó contou que começou a gravar a ação dos policiais, mas foi interrompido por um deles. “Tomaram de mim o aparelho e me fotografaram dizendo apenas que não me era permitido gravá-los. Talvez só eles podiam”, disse.

“Busquei respeitar a autoridade dos policiais da BIEsp, mas não me detive em lembrá-los, firmemente, que eles não tinham o poder de me apear da moto (em dias) e de meu aparelho, menos ainda me censurar. São eles o carrasco e o juiz? Se todo o procedimento estava correto, não havia o que temer da parte deles, óbvio”, acrescentou o jovem que disse ainda que os policiais agiram com desdem ao saber que a vítima era graduada.

“Me desdenharam apenas afirmando que ‘esses estudantes saem da faculdade pensando serem os donos do mundo’. Porque cobrar um tratamento digno dos policiais é um ato soberbo, acham”.

Jacó foi autuado por desobediência. “Ordenaram-me sentar no chão, enquanto chamavam o reforço: 4 viaturas, 4 motos e 14 policiais para conter minha desordem. Já eu continuava sentado no asfalto, cercado por eles e observado pelos vizinhos. Senti-me intimidado”, contou Jacó Viana.

O jornalista fez o teste de bafômetro, mas não foi constatada a ingestão de álcool, segundo informou Jacó. Ele foi levado à delegacia do bairro Jardim Maravilha e só foi liberado por volta das 3h da manhã.

Enquanto aguardava, Jacó contou que os policiais apresentaram motivos para justificar que a postura do jornalista foi incorreta. “Disseram que me trataram educadamente e que eu estava mentindo quando disse que fui xingado. Falaram ainda que recebi um tratamento padrão no Brasil todo e que eu estava exaltado porque tenho tendência hostil à Polícia”, afirmou.

Jacó reitera ainda que o comportamento dos policiais fortalece “a fama de truculência do 2º BIEsp”. “A polícia deve ajudar o cidadão de bem, e não ser um agente de intimidação”, finalizou.

O PNB está em contato com a 2ª Biesp.

Da Redação

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