
(foto: Preto no Branco)
Em contato com o portal Preto no Branco, a presidenta do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Emanuele Mariano, fez críticas ao atendimento prestado pelas empresas de transporte público de Juazeiro-BA. De acordo com ela, as PCDs que precisam usar o serviço, diariamente têm seus direitos violados e desrespeitados.
Como exemplo, ela relatou uma situação que diz ter vivido no terminal de ônibus da cidade, na última sexta-feira (07). “Depois de um dia de várias atividades e cansativo, cheguei ao terminal às 19h40 e fiquei a espera de um ônibus para voltar para casa. Com o passar de vários minutos, chegaram dois, que fazem linha para o Bairro João Paulo II, no qual resido. O primeiro não era adaptado, mas logo que o adaptado chegou me aproximei e pedi ao motorista que ele acionasse o elevador. Como resposta, ele mandou que eu fosse no outro ônibus, que não era adaptado, pois estava atrasado e levaria tempo para acionar o elevador.”
Emanuele Mariano contou ainda que apesar da negativa do motorista, conseguiu entrar no transporte. “Eu disse a ele que iria naquele ônibus sim, levasse o tempo que fosse, pois era um direito meu e que ele não poderia violar. Já não temos ônibus adaptados suficiente e ainda temos que ouvir dos funcionários que não vamos utilizá-los. Diante da situação, chamei o fiscal, relatei o caso e só assim consegui acessar o ônibus.”
A presidenta do conselho informou ainda que esses problemas já foram discutidos com a gestão municipal. “Já tivemos reuniões e enviamos vários relatórios. O diálogo já foi feito e ouvimos várias promessas. Agora eu pergunto ao secretário da CSTT (Companhia de Segurança, Trânsito e Transporte), cadê a capacitação para os funcionários da empresa que o senhor nos prometeu? Cadê a manutenção, reforma nos equipamentos, como cintos e barras de segurança que nos foi prometido? Já que dizem que não a condição de uma frota adaptada ou mais ônibus adaptados, não precisamos de mais promessas. Agora queremos resposta, solução urgente. Somos cidadãos de direitos e devemos ser respeitados.”
Emanuele fez ainda uma provocação às autoridades e aos funcionários e proprietários das empresas. “E se fosse com vocês senhor prefeito, deputados, vereadores, secretários, funcionários e proprietários das empresas? Se coloquem no lugar das pessoas com deficiência que ficam horas a espera de ônibus adaptados e quando chegam, muitos estão com elevador quebrado, ou com motoristas despreparados. Se coloquem no lugar da pessoas com deficiência que chegam ao terminal e não conseguem ir ao banheiro, pois não tem os que tem no terminal não são adaptados, e acabam fazendo suas necessidades na roupa. Se coloquem no lugar das pessoas surdas, que pedem informações e não encontram nenhum funcionário que saiba se comunicar com eles ou com educação e paciência para procurar uma maneira de passar a informação que elas estão precisando. Se coloquem no lugar do deficiente visual que não encontram o piso tátil. Se coloquem no lugar de pessoas com mobilidade reduzida e usuário de cadeira de rodas, precisando se locomover com aquelas pedras portuguesas, que dificultam ainda mais o acesso ao terminal, além das rampas que não seguem as normais técnicas. Precisamos de um terminal com uma reforma completa e não concordamos com a forma que está sendo feita, pois não contempla as pessoas com deficiência. Precisamos de acessibilidade devida.”
A presidenta finalizou dizendo que o conselho tem feito seu papel, zelando, fiscalizando, enviando propostas, relatórios, pontuando todas as demandas e lutado pelas políticas públicas da pessoa com deficiência no município. “Não recebemos verba, mas com certeza se recebêssemos já teríamos feito as intervenções devidas, teríamos uma cidade diferente, pois sofremos na pele cada situação e sofremos em ouvir as demais pessoas relatarem o que passam. Vão esperar alguém sofrer um acidente para agirem? Estamos falando de vidas. Agora pergunto, quando os relatórios que o conselho enviou vão ser lidos e as respostas com soluções serão encaminhadas? Precisamos ter acessibilidade em todos os espaços e principalmente precisamos do direito de ir e vir. Queremos transporte adaptados e com segurança. Queremos um terminal que realmente possamos ter acesso. Sei que já temos avanços na Educação Inclusiva, que a orla está sendo reformada com acessibilidade, que temos praças acessíveis e projetos como o Transformar e Supera PCD, que são direitos nossos. Mas o que adianta tudo isso se não temos acessibilidade nos transportes? Estamos sendo limitados a ficar dentro de casa. Desejo que as pessoas com deficiência venham se unir. Vamos as ruas reivindicar nossos direitos, vamos procurar o Ministério Público de forma coletiva. Basta de tanto descaso. Vamos fazer valer nossos direitos.”
O PNB está encaminhando a reclamação para a CSTT e para as empresas de trasporte público que atuam em Juazeiro.
Da Redação



