Como se não bastasse a angústia que o novo coronavírus tem gerado na sociedade brasileira, o presidente Jair Bolsonaro decepciona na sua postura inconsequente de defender o fim do isolamento social, contrariando as orientações das autoridades sanitárias do mundo inteiro.
Bem diferente dos líderes mundiais, o presidente brasileiro tem se valido de fake-news para sustentar seu “insustentável” argumento em defesa da abertura do comércio e outros serviços que foram suspensos nos estados e municípios para evitar aglomeração.
Ontem (2), o chefe de estado publicou em suas redes sociais um vídeo que mostra o pedido de uma mulher, identificando-se como professora, para o fim do isolamento social em meio à pandemia do coronavírus.
A “professora” diz estar passando necessidade junto aos filhos por conta do isolamento social, e pede ao presidente para colocar o “Exército na rua” e abrir o comércio.
“É difícil para o senhor porque só tem gente para derrubar. Mas, o senhor tem o povo e eu faço parte dele. Eu tô aqui pedindo: põe o Exército na rua, presidente, abra esse comércio. Sou professora e não estou podendo dar aula”, diz a mulher, diante de um Bolsonaro paciente e estático em sua frente, ouvindo o que lhe convinha.
Pois bem, para fake-news, o remédio é apuração. Foi o que aconteceu e a identidade da mulher foi revelada.
Fátima Montenegro é empresária, dona da empresa Caligrafia ABZ, no Distrito Federal, que ensina caligrafia técnica para adultos e crianças. Bolsonarista de carteirinha, a empresária também participou dos atos do dia 15 de março convocados por Bolsonaro para fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das fotos, Fátima aparece segurando uma faixa que diz: “Câmara, Senado, STF e a grande imprensa estão contra o Brasil”.
A publicação de Bolsonoro foi a segunda fake-news somente nesta semana, que marcou no calendário o “dia da mentira”, primeiro de abril.
Na última quarta-feira (1), o presidente usou o Twitter para atacar governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento e publicou um vídeo em que um “trabalhador” relata que estandes da Ceasa de Belo Horizonte, em Minas Gerais, estavam vazios.
Outra mentira. A Polícia Civil de Minas Gerais identificou o homem que gravou o vídeo fake. A gravação tinha a intenção de alarmar as pessoas quanto às consequências do isolamento social.
Na verdade, o vídeo foi gravado na última terça-feira, por volta das 10h, em uma área do Ceasa onde são comercializadas frutas e verduras. No entanto, os delegados frisaram que as vendas no local começam ainda na madrugada, por volta das 2h30, e que é comum que já estejam praticamente finalizadas no horário gravado.
“Nesse local, o comércio começa de madrugada, por volta das 2h30, e vai até 11h, no máximo. Depois disso, fica vazio”, explicou o delegado Luciano Guimarães.
Ainda na quarta-feira, em coletiva no Palácio do Planalto, a própria ministra de Bolsonaro, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, desmentiu o registro e reforçou que não há crise de abastecimento.
“Hoje nós temos no Brasil o abastecimento em todas as capitais e todas as cidades, não temos nenhuma notícia de que esteja faltando qualquer tipo de alimento nas prateleiras dos supermercados, das vendas. Essa é a missão hoje do Ministério”, disse.
A direção da Ceasa, da mesma forma, negou que houvesse escassez de produtos.
De acordo com os investigadores, o homem tem 48 anos, que não teve o nome revelado, é autônomo e não tem antecedentes criminais. Ele já foi intimado e deverá prestar esclarecimentos aos delegados até a próxima segunda-feira, por ter gravado o vídeo com mensagens deturpadas.
Ele poderá ser indiciado por provocar alarme falso, com o intuito de produzir pânico ou tumulto. De acordo com o artigo 41 da Lei das Contravenções Penais, de 1941, é crime “provocar alarme, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto”. A pena para esse casos é de prisão simples, de 15 a seis meses, ou multa.
Após ser desmascarado, o presidente da República apagou a publicação e pediu desculpas pela postagem.
Bolsonaro, assim como seus seguidores, são contumazes nesta prática ilícita, de divulgar notícias, vídeos e fotos falsos, o que configura CRIME!
*com informações da Revista Fórum
Da Redação, por Sibelle Fonseca
Onde esta a mentira da Professora?
Ela falou que fava aula particular e não estava podendo dar aula. O fato de ser empresária e pior por não poder vender os livros didáticos. Não entendi onde está o erro dela? Vc poderia me mostrar a mentira?