
(foto: divulgação)
Policiais Civil de Juazeiro, no Norte da Bahia, paralisaram as atividades, pelo período de 24h, nesta quarta-feira (8). A paralisação foi aprovada durante assembleia extraordinária realizada na semana passada, pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (SINDPOC), em virtude do crescente número de agentes infectados pela covid-19, e acontece em todo Estado.
De acordo com Edvaldo Santos, investigador e diretor jurídico da SINDPOC na região Norte, 178 policiais, entre delegados, escrivães e investigadores de polícia da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), com sede em Juazeiro, aderiram a paralisação. Até o momento, nenhum agente foi diagnosticado com a doença, entretanto, dois servidores do Centro Integrado de Comunicação (CICOM), departamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) que fica no complexo policial e que funciona como call center para recebimento de denúncias, testaram positivo para o novo coronavírus.
“Nós passamos pelo teste rápido, que foi conseguido pela coordenadora, a delegada Lígia Nunes, em parceria com Prefeitura Municipal, mas nenhum policial foi diagnosticado. Porém nós temos um setor, que é o CICOM, onde existe o call center do serviço 190. Lá foi atestado dois servidores positivos. A paralisação também é para que o Estado disponibilize o teste na forma de sorológico, que tem uma precisão bem maior dos que já foram infectados e podem infectar, ou estão assintomáticos e, de posse desse dado, a gente pode ver qual o procedimento que deve ser tomado naquela unidade que tiver casos positivos”, contou Edvaldo Santos.
O diretor jurídico acrescentou ainda que a Delegacia de Juazeiro até dispõe de equipamentos como máscara e álcool em gel, porém carece de continuidade na oferta desses itens e não dispõe de outros equipamentos básicos que também contribuem na higienização contra a covid-19.
“A gente não tem, por exemplo, uma pia na entrada na delegacia e não existe higienização constante das viaturas. Há um descaso por parte do Governo do Estado, que não está oferecendo essas condições mínimas. [Queremos] disponibilização contínua de máscaras, luvas e álcool em gel e também um treinamento apropriado para lidar com os detentos provisórios que possam estar contaminados”, disse.
Edvaldo Santos relatou que uma das maiores pendências dos agentes de Juazeiro diz respeito ao momento da condução dos presos para fazer o exame de testagem nos hospitais, já que os policiais realizam o procedimento sem os devidos equipamentos para acompanhá-los.
Entre outras reivindicações da categoria estão a liberação do protocolo de biossegurança, para que seja implantado adicional de insalubridade em virtude da pandemia da covid-19, e a deliberação de um representante da categoria na Comissão de Prevenção a covid-19 da Bahia. Conforme boletim do levantamento do SINDPOC, até terça-feira, 239 policiais tinha testado positivo para o novo coronavírus.
30% do efetivo trabalha em todas as unidades. Com a paralisação de 24h, de acordo com o diretor jurídico, somente os serviços de levantamento cadavérico e flagrante delito estão funcionando normalmente. As demais demandas policiais, como registro de ocorrência, cumprimento de mandados de prisão, investigações e diligências, não estão sendo executadas. As pessoas são orientadas a registrar a ocorrência na delegacia digital.
O que diz a PC
Em nota, a Polícia Civil informou que as unidades estarão funcionando em toda sua integralidade, obedecendo aos critérios de saúde para a prevenção contra a covid-19, e que, por se tratar de um serviço essencial, os atendimentos deverão ser preservados.
O órgão disse ainda que somente na capital foram realizadas mais de 800 testagens de servidores da Instituição, entre RT-PCR (swab) e testes rápidos para anticorpos, enquanto no interior, os servidores passam pelos mesmos exames, realizados pelos órgãos municipais de saúde, a partir de um convênio entre o Departamento Médico da Polícia Civil (Demep), a Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab) e as pastas municipais.
A Polícia Civil a Bahia disse ainda que mais de 60 mil itens entre equipamentos de proteção individual e materiais de limpeza foram adquiridos e são distribuídos em todas as unidades, desde o início da pandemia, além da higienização e desinfecção realizada nas delegacias com regularidade, e acrescentou que “tem prestado todo apoio necessário aos contaminados, também por intermédio do Demep que possui uma linha direta 24 horas à disposição dos servidores.”
Da Redação por Thiago Santos


