Coordenador da Defesa Civil de Juazeiro se manifesta sobre paralisação dos pipeiros da Operação Carro Pipa do Exército; confira

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Após o anúncio da paralisação dos pipeiros, que prestam serviço em Juazeiro, à Operação Pipa, do Ministério da Integração Nacional, em parceria com o Ministério da Defesa, nesta quinta-feira (7), em protesto à falta de assistência por parte da gestão municipal, o Coordenador da Defesa Civil de Juazeiro, Ramiro Cordeiro, ouvido pelo PNB, se manifestou sobre as reivindicações.

Ele emitiu sua opinião sobre a reação dos profissionais e disse concordar com as reivindicações.

“Eu entendo a reivindicação dos pipeiros e acho que eles estão certos em cobrar melhorias. Acredito que muitas desistências de pipeiros, sejam mais pelo aumento constante nos preços dos combustíveis, que está tornando inviável continuar na Operação Pipa. Seria justo que a remuneração dos pipeiros fosse reajustada toda vez que o diesel sofresse aumento, afinal, esse trabalho não é filantrópico. Todos eles trabalham arduamente para levar o sustento para suas casas e está cada dia mais difícil continuar nesse negócio com tantos aumentos, e nenhum reajuste para a classe.”

Sobre a isenção do imposto, o ISS, cobrado pela prefeitura, o coordenador disse: “eu levei até à gestão municipal a ideia de zerar o ISS, a fim de motivar os pipeiros a continuarem trabalhando, mas fui informado que durante a pandemia não pode ser dada a isenção ou diminuição do imposto.”

Ramiro Cordeiro afirmou ainda que não é intenção da gestão encerrar a Operação Pipa, em Juazeiro, e que está intermediando uma conversa com os pipeiros junto ao governo municipal.

“Sobre a gente querer acabar com a operação, em Juazeiro, para contratar carros-pipas através do SAAE, é totalmente fora de cogitação. Pois, a autarquia municipal não anda bem financeiramente para está fazendo contratação de pipas, o que queremos é atrair novos pipeiros para que não gastemos dinheiro dos cofres municipais. Hoje mesmo fiz uma solicitação ao Paço Municipal, para conversamos com os pipeiros e o Exército Brasileiro, e juntos encontrar uma solução para esse problema e voltarmos a atrair mais pipeiros para nossa cidade”.

Ele justificou a demora no abastecimento dos caminhões pelo SAAE, e garantiu que o problema será solucionado até o final de semana.

“Entrei em contato com o SAAE, para saber o porquê da demora em abastecer os carros-pipas, e fui informado que está sendo feita a manutenção das bombas e filtros, mas que até o final de semana tudo estará dentro da normalidade”, garantiu o coordenador. 

Nós também buscamos uma resposta do SAAE para as reclamações dos prestadores do serviço, mas até o momento, o órgão não deu nenhum retorno.

Paralisação 

Pipeiros que prestam serviço, em Juazeiro, à Operação Pipa, do Ministério da Integração Nacional, em parceria com o Ministério da Defesa, pararam suas atividades nesta quinta-feira (7), em protesto à falta de assistência por parte da Prefeitura de Juazeiro.

A Operação foi criada há 13 anos, a fim de auxiliar as ações de defesa civil nos municípios, levando água para as comunidades rurais.

De acordo com o pipeiro Flávio Coelho a atual gestão municipal não vem cumprindo com a obrigação de abastecer os carros-pipa, contratados pelo 72 BI, para atender as comunidades do interior que vivem o drama da falta de água.

Ele conta que, muitos pipeiros desistiram de atuar no município por falta de assistência da prefeitura.

“Estamos decretando uma greve, pois está faltando parceria por parte da prefeitura. O SAAE não está conseguindo fornecer água, em tempo hábil, para abastecer os carros e, com isso está prejudicando nosso trabalho de levar água para as comunidades do interior que mais precisam”, disse o profissional.

De acordo com Flávio, na gestão anterior 22 carros pipa atendiam ao município de Juazeiro, mas, com as dificuldades criadas pelo atual governo, atualmente são apenas 13 pipas e mesmo assim eles enfrentam dificuldades para conseguirem água.

“É humilhante, é muita humilhação! A gente gente chega a passar até 4 horas aqui no ponto esperando para abastecer. Temos um contrato com o 72 BI de ofertar, no mínimo, 3 a 4 carradas por dia e tem dia que a gente não consegue abastecer nenhum carro. Ficamos no prejuízo, pois temos que bater uma meta mensal de 50 % e mais uma carrada e, se não cumprirmos isto pagamos multa, sendo que a culpa não é nossa, e sim da Prefeitura de Juazeiro”, contou.

Eles reivindicam o direito de trabalhar, de cumprir o contrato firmado com a operação, e assim garantir água à população do interior.

“A gente reivindica que a prefeitura forneça água pra gente trabalhar, que ela cumpra a parte dela no contrato com a operação Pipa, com o 72BI. A gente vem de longe, de cidades distantes, a gente se desloca, e quando chega em Juazeiro não tem água, porque o SAAE não disponibiliza. Além de sofrermos para custear o alto preço e aumentos constantes do óleo diesel, que acaba levando o lucro dos pipeiros, ainda sofremos este mal trato pelo município de Juazeiro, protestou Flávio.

Representando os pipeiros que estão parados no manancial situado no Residencial Dr. Humberto, Flávio Coelho se queixa ainda das péssimas condições de trabalho a que são submetidos.

“Há muito tempo que nós estamos pelejando para solucionar este problema, tentamos várias vezes conversar com os representantes deste setor, eles prometem resolver e nunca resolveram. A gente fica no sol quente, sem nenhum amparo. Eles não fornecem nenhum banheiro, nenhuma estrutura no ponto de coleta aqui no Residencial Dr Humberto. É muita falta de respeito e humanidade”, desabafou.

De acordo com outro pipeiro, que já atua no programa há 11 anos, “esta gestão foi a que menos deu assistência aos pipeiros. Muitos já desistiram de trabalhar em Juazeiro, desde que este governo assumiu. Nas gestões passadas não havia este problema e a água era fornecida normalmente”, afirmou o profissional.

Eles informaram ainda que já pediram uma reunião com os representantes da prefeitura, mas até o momento, não foram atendidos.

“Parece que eles não têm interesse em disponibilizar água para quem sofre com a falta dela nas comunidades do interior. Tem muita gente sofrendo com a falta de água e a prefeitura sem dar nenhum valor a um programa tão importante do Governo Federal”, disseram.

Eles ainda relatam uma situação grave: “Aqui no ponto são dois bicos de água. Um bico de água tratada, e outro de água bruta. O SAAE vende água tratada para os pipeiros particulares, que na sua maioria leva água para chácaras, para molhar plantas e para nós, pipeiros da Operação do Exército, fornecem água bruta. Como esta água que levamos para o interior, é para consumo humano, nós colocamos pastilhas de cloro para melhorar a qualidade”, informaram.

Eles reivindicam também a isenção do ISS que a prefeitura cobra dos pipeiros para realizarem o serviço social de acesso a água.

“Muitos municípios já isentaram o pagamento deste imposto, o ISS, e até dão uma ajuda no óleo diesel. Nós estamos pagando mais de R$ 500 por mês de imposto, o que dá mais de 6 mil por ano para prestar o serviço, e ainda somos maltratados. A Prefeitura de Juazeiro, ao invés de fazer uma parceria com os pipeiros, como outros municipais fazem, para garantir água para as famílias rurais, faz é dificultar e nos castigar assim, castigando também o povo do interior que sofre sem água”, declarou Flávio.

Por fim, Flávio Coelho cobrou uma resposta urgente da gestão municipal e fez alguns questionamentos: “O município de Juazeiro, nesta atual gestão, já deu a parecer que não quer os pipas da operação do exército, pois não dá assistência em nada. Dá para a gente perceber que eles preferem que tire o dinheiro do município para pagar carro pipa, com o orçamento dos SAAE, do que receber esses caminhões por conta do Exército. Ao invés de usarem o dinheiro do município para investir em obras de infraestrutura, em saneamento, em colocar água encanada em outras outras regiões, por exemplo. Queremos uma pessoa do SAAE, da direção do SAAE para se reunir com a gente e resolver este problema de forma definitiva. Ou querem mesmo que os pipeiros do Exército saiam de Juazeiro e fiquem os carros do SAAE custeados pelo dinheiro do contribuinte do município?”, questionou Flávio Coelho.

Operação Pipa

A Operação Pipa existe há 13 anos. O Ministério da Integração Nacional, representado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, em parceria com o Ministério da Defesa, representado pelo COTER, criaram a referida Operação a fim de auxiliar as Ações de Defesa Civil Municipais, complementando a distribuição de água realizada pelas prefeituras nas regiões do semi-árido brasileiro atingidos pela estiagem. No início, a Operação era temporária, ou seja, acontecia nos momentos em que a estiagem se prolongava, entretanto, com o passar do tempo, verificou-se a necessidade de realizar a Operação de forma contínua, haja vista o rigor do período de seca, o crescente número de municípios incluídos e a confiabilidade do Governo Federal no trabalho do Exército.

Redação PNB

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